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domingo, 8 de abril de 2012

Virando gente (II)



Antes de continuar a contar minhas aventuras para ingressar no mestrado, quero explicar o título da saga: virar gente está relacionado aqui com os afazeres da vida adulta: estudar, trabalhar, dirigir, casar, ter filhos... cozinhar, organizar a casa, saber se relacionar com as pessoas, enfim, muitas outras coisas.

No meu caso, fujo de algumas responsabilidades: aprender a dirigir, ter filhos e cuidar da casa. Isso não é coisa de gente! Uma quase-brincadeira que faço comigo mesma. São três coisas que estou protelando em minha vida e sei que não irei resolver tão cedo...

Voltando ao dia da prova escrita, passados os 30 minutos de tremedeira inicial, feito fico nos primeiros minutos de uma apresentação de dança, lá estava eu escrevendo na folha tudo que me lembrava ser importante na bibliografia indicada, articulando com as citações de Marx e Peter Singer e dando meu toque pessoal na escrita, ainda que fosse acadêmica, tentei deixá-la menos chata possível. Se há algo urgente para se mudar nas publicações é deixá-las menos chatas e mais agradáveis de ler.

Esperar uma semana pelo resultado não foi fácil, dos mais de cem candidatos inscritos, 32 foram selecionados para segunda etapa. Viva! Iria para arguição defender minha proposta de pesquisa, feita as pressas numa quarta-feira de cinzas... Imaginem uma pessoa autenticamente louca e cara de pau: eu! Tinham falhas no projeto, mas foi o que deu pra fazer. Mesmo assim, tinha confiança no que elaborei, na minha proposta e capacidade de realizá-la.

Os três professores da banca tentaram o tempo todo derrubar meu projeto e de fato jogaram-no ao chão. Mantive a calma, falei de Kant, ao me questionarem da modernidade, citei Platão, lembrando que o homem moderno perdeu o erotismo. Eles me perguntaram sobre Freud, em “o mal estar na civilização”, revidei: quem lê Freud sabe que a pulsão de vida é o Eros platônico... foi como se eu estivesse num jogo de tênis, não podia deixar a bolinha cair.

Mais uma semana de espera. Entre a avaliação do lattes, os 32 projetos apresentados na banca e a média da pontuação com a prova escrita, fiquei entre os 14 selecionados. Entrei na modalidade de atualização, quer dizer, pude fazer matricula em todas as disciplinas e já tenho grupo de pesquisa e orientador para desenvolver o meu projeto. O meu desempenho nas disciplinas, e principalmente, no projeto e desenvolvimento da pesquisa que irá possibilitar meu ingresso como aluna regular.

Não está sendo fácil conciliar meus trabalhos nas duas escolas com o curso do mestrado. A dedicação mínima é de 24 horas semanais, para as leituras, aulas, participação em congressos, simpósios, elaboração e publicação de artigos... O lance é cumprir os créditos das disciplinas, participar dos eventos, pesquisar, publicar e escrever a dissertação, assim que funciona. Está tudo muito difícil, mas vai dar certo.

4 comentários:

  1. Eu digo isso para mim todos os dias: "Vai dar tudo certo!" Mas as vezes me falta fé, confesso!!! Mas todos dizem que é assim mesmo!!! Vida mestranda/Coisas da Pós!!! Vai dar tudo certo!!! Nós vamos virar gente!!!

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  2. Menina, tudo dá certo no fim. Se não der certo, é porque ainda não é o fim...rsrs
    Mas, de verdade, vida de estudante, ainda mais quando já é por escolha própria, de cunho profissionalizante, e não mais estamos sob as determinaçãoes dos pais, é muito complicada. Conciliar emprego, casa, família e estudo é massacrante. A escolha de continuar os estudos tem que vir com muito prazer.
    Boa Páscoa!

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  3. Imagino a sua ansiedade pelo resultado e agora o trabalho que você prevê pela frente - mas tenho certeza que entre uma disciplina, uma prova e um chopp, você irá conseguir organizar tudo no final! Coragem e boa sorte! Beijo, Deia.

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  4. É claro que vai dar certo, principalmente porque vc está muito afim. Crescer dá trabalho, mas usar bem o tempo que a maturidade nos oferece não tem preço.
    Se precisar de um refresco, olhe pela janela, admire o sol, a lua, e vai se revigorar para qualquer bate bola que lhe propuserem...

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