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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um ser estranho

 (Foto Google)

 Tornei-me um ser estranho. Deixei de me preocupar com as pessoas. Acho que cada um tem que cuidar da sua vida. Por anos me envolvi com todo mundo, era presente para todos e para tudo. Esquecia de mim para servir aos outros. 
Depois dos filhos, percebi que meu universo ficava mais restrito. Ainda durou  muito tempo me dividir entre eles e todos os outros. 
Depois dos netos, percebi que o círculo se fechava e preferi ficar ali, à roda deles e de seus pais.
Ainda penso em todos, ainda sou disponível, mas agora não me dói não ser presente demais.
Não ganhei nem perdi.
A vida nos dá e nos tira. Ganhamos e perdemos. Apanhamos e batemos. Rimos e choramos. 
Fico enjoada dessa dualidade para tudo.
Escrevo de véspera, hoje ainda é Finados. E não fui ao cemitério, como não vou há anos. Não chorei por meus amados. Mas agora que escrevo, penso na falta que me fazem, em como influenciaram a minha vida, o quanto tenho deles. Não posso ser indiferente.
Hoje já não dou telefonemas aos irmãos, já não perco tempo e sono pensando neles. Somos sociáveis, nos vemos, nos damos bem, mas somos companheiros de viagem por aqui e cada um vive em seu universo particular, com suas famílias.
Ando por aqui, num blog, e pelo Facebook e vejo "mil amigos" que à primeira opinião contrária que lhe der, ficarão indignados e pode ser que até me "deletem" de sua vida.
Recebo a notícia (eu e o mundo) da doença do Lula e por todo lado aparece ironia sobre ela, como se não se tratasse de um ser humano, que tem família que o ama e o quer junto de si.
Banalizou-se tudo nessa vida. O que vale é o agora, nada pode ser espichado por muito tempo, nada pode ser debatido por alguns dias, o tempo urge, é preciso mudar de assunto a cada...sopro de ar.
Sinto falta de uma boa conversa, um papo ao redor da mesa de casa, uma despreocupação com o relógio, um sem-compromisso com o tempo.
Todo mundo agora é dono da verdade (eu sempre me achei! rsrs) e tá certo, cada um pensa como quer. Mas aceite que o outro não pense igual! Aceite que o melhor doce não é o doce de batata-doce, se assim o outro não quer achar.
Agora tenho medo de opinar, tenho medo de discordar, tenho medo de não agradar, tenho medo de tanta coisa! (não sei se "medo" seria a palavra).
Por isso cada dia me recolho mais, cada dia acho que o melhor lugar do mundo é o meu canto, minha casa.
Por isso acho que me tornei estranha. Saí de mim.

20 comentários:

  1. Lucia vc parece minha mãe falando!!! Um sabedoria profunda, uma tristeza, um sei lá que parece que só os que viveram, amaram e até creram sabem dizer e ser! Te admiro um monte, na concordancia e na discordancia tb, vc é o tipo de companheira que gosto de ter!

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  2. A vida e suas dualidades...

    Gosto do jeito que abres o coração, despejando o que nele vai.

    Também não fui ao cemitério, há anos não vou, como tu. Não sinto vontade, apenas penso com saudade dos que ali tem apenas seus restos...

    O que me importa é a VIDA! E os VIVOS, que precisam de nós e nós deles...

    Lindo dia, beijos, chica

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  3. Lúcia, parece até eu falando de mim. Já mas superei isso. O que eu aprendi? Não precisamos agradar ninguém e nem somos Deus pra resolver todos os problemas. Somos carentes sim, e temos nossas verdades, nossas opiniões, nossas ideias. Se não aceitarem, ok, sem brigas. Se as pessoas te procuram, falam com vc, sabem dos seus defeitos e mesmo assim estão perto de vc, elas te amam. Quem se afasta, não nos faz a mínima diferença, sendo parente ou não.
    Nunca deixe de dar sua opinião, ela é muito valiosa pra vc. Só não vale a pena discutir ou brigar por ela. Dê sua opinião e aceite a do outro. Se te voltarem com uma agressividade, o melhor é se calar pra não discutir, mas não mude de opinião se assim não for de seu agrado.
    Eu prefiro pessoas que falam o que pensam, que discutam, que se posicionem do que aqueles que nãda falam, concordam com tudo e que nas costas falam pelos cotovelos, mal de vc.... esses eu dispenso.

    Beijos

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  4. Olá Lucia!!! Li seu post, mas não vou comentar, não consigo me abrir ja escrevi duas vezezs e apaguei...
    Bom, vai ver sou em ser estranho ...enfim. bjs boa quinta.

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  5. Oi, Vivian. Pensa um pouco mais e comenta,vai! Beijo!

    Pandora, você me conhece bem! rs Beijo!

    Chica e Clara, o jeito é tocar a vida. Precisou de mim? Tô aqui. Quer me ver? Venha. Gosta de mim? Que bom! rsrs Acho que não vale muito a pena ficar de lamúrias, né? Beijos!

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  6. Talvez vc não tenha saído de si, talvez tenha se encontrado... beijos, saudades. Adelina

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  7. Oi Lucia querida, amei seu texto. Eu sou tão assim! Mas na verdade, não mudei. Sempre fui um ser estranho, guardada no meu canto para os que quiserem chegar. Também resguardo certas opiniões pelo medo das contrariedades dos donos da verdade. Também eu sempre fui uma dona da verdade, mas esta parte eu tenho tentado mudar, isso por que não apenas das dualidades sinto que vive o mundo, mas também dos degradés que elas vão formando, e no final, todos e ninguém tem razão, 100% razão... Adorei estar aqui com você. Estava com saudades das suas palavras, mas por afastamento meu, de tudo e de todos. Agora estou voltando! Me achei (sabe-se lá por quanto tempo)! rsrs Beijos.

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  8. Oi Lúcia, algumas das coisas ditas por vc no início de teu texto, poderiam ser escritas por mim. A vida ensina a todos, aprende quem tem juízo...rsrsrs

    Bom fds, bjo!

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  9. Oi Lúcia!
    Você não é estranha, apenas encontrou o seu eu, não vai com os outros.rsss
    Sua descrição parece muito com o meu jeito de ser. Estou disponível, mas aqui sem me expor muito com o risco de ser mal entendida, afinal qualquer discordância pode gerar uma guerra de egos. Compreendo totalmente seu ponto de vista! Nós não somos estranhas, somos mais sensíveis!rss
    Beijinhos e tudo de bom!

    O facebook é muito complicado, é muita informação.rsss

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  10. Menina, sei lá se bom ou ruim - mas eu pensei que estava ficando doente com alguns destes sintomas!!! Mas, qual o quê! São sintomas de gente que nem a gente!!
    Conclusão: eu sou normalllllllll!

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  11. Lúcia, minha querida, simplesmente SENSACIONAL! As reações em relação a doença do Lula foram de enojar, muitos esquecem que ali mora um ser humano. Parabéns pelo post e texto! Beijo, beijo querida!
    She

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  12. Oi Lúcia, como gosto de ler o que escreve!, me encontro, me vejo, aprendo e admiro,parabéns pelo post.

    beijos e carinhos

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  13. Oi, Lúcia!

    Sabe que esta angústia eu a acho maravilhosa? às vezes(quero dizer), pois angústia permanente é sinal de que algo não vai bem. Depois vem o momento (ou um momento) de alegria e tudo se dissipa até a volta de nova angústia. O bacana de tudo é a gente poder ir amadureceno entre uma e outra, coisa que me parece ser para você uma cosntante oportunidade fortificante. Gostei muito.

    Abração, paz e bem.

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  14. É o mundo está cada vez mais esquisito e impessoal. Em menor escala também me sinto mais afastada das pessoas porque meu mundo mudou. Tenho mais amigos porque a internet facilita isso e converso com pessoas do meu cotidiano nele também. Estou ao mesmo tempo mais próxima e mais distante.

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  15. Lúcia, esse teu texto saiu daqui de dentro da minha cabecinha, sabia?

    Em cada linha tua escrita me vi. Tenho me sentindo assim uma estranha no ninho faz algum tempo.

    Um sentimento de que a gente só serve se servimos de banquinho para as pessoas...vc sabe...


    Vc nao tá só nao amiga, somos muitos estranhos nessa caminhada.


    Bjao

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  16. Querida Lúcia,

    Ando em falta com vocês, esqueci por completo dos escritos, precisava de vento. Resultado: minha garganta começou a doer, coisa que não me acontecia desde que iniciei o blog. Quer dizer, o corpo tem seu jeito de falar.

    As datas, os acontecimentos, a família, os amigos... o tempo.

    Ah, o tempo... aqueles que já não podemos mais ver, o intocável que gostaríamos de tocar, o indizível que queríamos de dizer. As renúncias que fazemos e os desejos que não conseguimos lidar que, por vezes, nem tomamos consciência deles.

    Quão belo e complexo é viver! Quão custoso é conferir sentido para aquilo que não pode ser conferido.

    Mas, a gente vai levando....

    Grande abraço amigo!

    PS. Tentarei organizar a participação de Giuliara.

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  17. Estranha, para quem? Vivemos e seguimos fazendo nossas escolhas, este é o seu momento, momento, daqui a pouco pode ser outro, e assim, vamos seguindo nos encontros e desencontros, na vida real e na virtual.
    bjs

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  18. Lucia, queridona!
    Claro que eu tinha que vir aqui ler o teu post, sou fã há tempos do que escreve e sempre achei sua forma de colocar as coisas bastante claras e diretas. Às vezes fica meio chorona, como eu mesma já lhe disse uma vez, lembra? Mas este é o seu jeitinho e é assim que deve ser, fica original sem ser agressiva ou grosseira com as pessoas.
    Ainda bem que eu estava fora e nem sei direito o que rolou sobre a doença do Lula, pois com isso não se brinca, afinal todos somos seres humanos e a qualquer momento algo assim pode nos acometer ou a alguém muito amado e próximo.
    Fico feliz em vê-la escrevendo por aqui e, espero em breve, num blog novo e só seu.
    beijão carioca

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  19. Vc é sempre a minha amiga amada, nada de estranha, estranho ta o mundo, to tentando voltar!

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  20. A gente acaba ficando tudo igual, com o tempo. Agora, o tempo 'ruge', como som do passado. Antes, a gente não o percebia e conseguia por dentro dele toda a vida. Depois, urgirá o tempo de sair de nós. Enfim, somos nós, mesmos sós, 'coiós' (tava bom o rumo mas faltava rima).

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