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terça-feira, 5 de junho de 2012

Ruim para o público, bom para a crítica: Clarissa de Érico Veríssimo



O público em geral prefere livros cativantes. Ao contrário do que um amigo me disse, não é só por prazer que a maioria escolhe um livro. A história tem que ter personagens instigantes que gerem reflexões nos leitores, que estejam próximos do cotidiano. Um autor que enrole muito para dizer algo simples não é sempre apreciado.

Quando li Clarissa de Érico Veríssimo fiquei muito entediada. Não sei se é bem apreciado pela crítica, mas é tão chato que coloco no mesmo patamar dos queridinhos da crítica. É claro que há muitos que se salvam como os livros de Jane Austen (com a exceção de Emma, que é terrível), mas Clarissa de forma alguma eu livraria da berlinda, se existisse um Big Livro Brasil.

Os personagens são insoços. Clarissa é a única que dá um pouco de cor aos estranhos personagens que vivem na pensão de sua parenta (acredito que era sua tia, mas como já faz alguns anos que li, relevem se tiver errado), mas ela também não é grande coisa. Só o viço de sua juventude, da passagem da infância para adolescência é que suaviza a história, mas pelo andar da carruagem, quer dizer do enredo, a tendência dela era virar uma pessoa tão cinza quanto qualquer outro personagem do livro.

O mais tosco personagem, era um pianista fracassado que apesar de muito mais velho que Clarissa nutria uma afeição estranha pela menina. Não sei se ele via nela a mesma coisa que eu disse a cima, mas só sei que ele era um palerma. Uma pessoa que havia desistido de tentar, e que acreditava que todo mundo ia ter um final trágico na vida. Isso ficou muito claro pra mim, na passagem que o pianista faz uma música animada sobre o peixinho novo de Clarissa, mas que no fim, a melodia se transforma em algo trágico com a visualização da morte do pet da menina. O detalhe é que ela havia acabado de ganhar o pobre peixinho. Sensível esse rapaz não?

Acredito ser verdade que existam pessoas assim sem brilho, mas sempre torço que algo aconteça a elas que as desvie desse percurso sem graça. Já vi acontecer, é possível, então porque não escrever sobre essa possibilidade? Só assim acho que a narrativa deixa de ser tão desritimada.

Todo o enredo desse livro me mostrou a falta de objetivo do autor, e nada mais me incomoda do que me sentir perdida, seja na vida real, seja nos livros. Talvez ele apenas quisesse por orgulho (isso é muito comum em escritores), mostrar que era capaz de descrever uma personalidade do submundo, um lixo humano como chamamos na faculdade, só porque as personalidades mais complexas são as mais difíceis de desvendar e as que recebem mais louros da vitória.

Acho uma traição com o público, escrever um livro pensando nos lucros para sua carreira.Fala sério “nem”! A gente quer enredo, objetivo e conclusão quando se trata de livro. Ao menos eu acho. Um forte abraço amigos!

11 comentários:

  1. Vc é pra lá de exigente dona Aleska!!! Mas como sempre surpreende quando fala sua opinião sobre as coisas!!!

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  2. Adorei o texto Alexta, não li o livro e tb nunca tive uma birra com o Veríssimo, mas se o livro é de fato como vc escreveu eu vou passar bem longe dele!

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  3. Eu quando li, já havia lido Ana Terra (que me impressionou muito), O Tempo e o Vento e O Senhor Embaixador. Então achei estranho o livro Clarissa, paracia não combinar com o estilo do Autor. Mas aí fui descobrir que foi um de seus primeiros trabalhos e creio que ele não estava ainda tão maduro como escritor. Também é só uma opinião. Na verdade eu acho o Luis Fernando Veríssimo muito mais talentoso do que ele. Abraços. Paz e bem.

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  4. Rss eu acho que se vc tem vontade de conhecer o autor vc deve ler. Essa foi minha opinião, mas quem sabe vc não acha legal? Eu quando dou minha opinião é pra valer jaci kkkkk ah josé, eu não tenho nada contra as outras obras do veríssimo, apenas tive essa impressão com li Clarissa. Eu gostei de Olhai os lírios dos campos, não muito, pq o personagem principal era meio banana, mas ele apresentou algumas questões boas, que acho que muitas pessoas podem se identificar.

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  5. Nunca li Clarissa. Vou ler só pra poder falar mal com conhecimento de causa...

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  6. Primeiro: Eu adorei "Emma" da Jane Austen!

    Mas vamos à Veríssimo. Aqui em casa sempre comentaram muito de "Incidente em Antares", que, de acordo com meus pais, é chato e enrolado a valer até metade do livro, mas depois vira uma baita história.
    Do Erico, só li a trilogia "O tempo e o vento" e, sim, não nego, em certos momentos ele é bastante enrolado. Há discussões políticas na série que eu, certamente, cortaria pela metade, mas não sei se excluiria, já que é um ponto importante, levando em conta que é um romance histórico.
    Pois bem, não li "Clarissa" e não lembro de ter ouvido comentários sobre. Mas bah, chamar o cara que escreveu "O tempo e o vento" de orgulhoso ou caça-lucros? Acho, sinceramente, demais. Talvez tu deva ler outra coisa dele para desfazer essa impressão que, tenho certeza, é errada. Minha visão de Erico Veríssimo é Floriano Terra Cambará, d'O Tempo e o Vento, para muitos o alter ego dele, e, bem eu amo Floriano Terra Cambará...
    E, sim, eu preciso ler mais de Erico Veríssimo. Só de teima começarei com "Clarissa".

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  7. Nunca li, Aleska. Mas agora me aguçou a curiosidade. Quem sabe vc lê "A convidada", eu leio "Clarissa" e trocamos ideia? rsrs

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  8. Não posso falar muito, pois do Veríssimo pai só li O Continente I. Depois me afastei e nem lembro muito bem a razão. Mas sabe, serviu muito mais para me intrigar para ler que para me afastar, rsrs.

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  9. A crítica é fácil, a arte é difícil. Escreva um livro melhor, então. Abraços. João

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  10. Achei o livro Clarissa inesquecível, lindo. Mas, também, o que se pode esperar de alguém que escreve um artigo usando o termo INSOÇOS, em vez de INSOSSOS? Bom fim de semana. João.

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    1. E o que podemos esperar de alguém que não da a cara a tapa e comenta como anônimo?!?!? Bem, não fui eu quem escreveu a artigo, mas não deixo de dizer o que penso.

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