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quinta-feira, 29 de março de 2012

Causos de Minas/Minha cidade

Corre por aí que mineiro é bobinho.  Mas mineiro é esperto que só.
Apenas fica de olho, pensa, reflete, pra só depois emitir sua opinião.
Na política, por exemplo, Minas Gerais deu grandes exemplos de galhardia e honestidade. Atualmente há uns tantos que se bandearam pra corrupção, empobrecendo nosso nome no cenário político.
Acho que nenhum Estado é melhor que o outro, em matéria de humanos.
Pode haver o mais bem industrializado, o mais rico em florestas, ou rios, ou turismo, mas o material humano leva aos mesmos caminhos.
Quem pode mais, engole o outro.
Sou mineira, não da capital, mas nela moro há mais de 50 anos.
Adoro a frase que se vê em camisetas, folders, adesivos, música: "Amo BH radicalmente".


Nasci em uma pequena cidade, a 198 Km de Belo Horizonte., até hoje com apenas cento e poucos mil habitantes, Coronel Fabriciano.
O nome é uma homenagem a um Tenente-coronel, Fabriciano Felisberto Carvalho de Brito.

Pelas fotos, parece agradável, mas é uma cidade que parou no tempo. Ainda tenho primos que moram lá. Outros moram pertinho, em Timóteo, mais conhecida pelo nome da usina Acesita, que agora é ArcelorMittal. Fabriciano também fica pertinho de Ipatinga, onde está uma das maiores usinas de aço brasileira, a Usiminas.
Esta construção é do Colégio Angélica, fundado em 1950. O nome é em homenagem à minha avó paterna, Angélica Rosa. Meu tio, Joaquim Gomes da Silveira, era superintendente da Belgo Mineira, que doou o terreno para a construção.
O colégio está lá, firme e forte, bonito, grande, e é um orgulho pra nós. Não cheguei a estudar nele, mas minhas irmãs mais velhas, sim.
(A última foto da colagem (W) é o Colégio Angélica, agora restaurado e colocado na cor original, um amarelado.)

Então, mostrando uma piadinha sobre um mineirim que fala assim mei rastado, nem um poco parecido com o jei qu'eu falo, fica aí um motivo para umas boas gargalhadas.



DEGUSTAÇÃO DE VINHO EM MINAS.


- Hummm...
- Hummm...
- Eca, sô!!!
- Eca?! Quem falou "eca"?
- Fui ô, sô! U sinhô num acha quesse vin tá com um gostim istrãin?
- Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas...
- Putaquipariu, sô! I u sinhô cherô istudaí nu copo?!
- Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
- Cebesta, eu não! Sô isnão, sô!! Mas quisso aqui tá me cherano iguarzim aminha eguinha Gertrudes adespois da chuva, lá isso tá!
- Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!
- U sinhô mi adiscurpe, mas eu vi u sinhô sacudino o copo e enfiano o narigão lá dentro, uai. U sinhô tá gripado, né?
- Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então...
- E intão moiá u biscoito, né? Tô fora, sô frutinha adamascada!
- O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no...
- Mai num vai introduzi mas é nunca! Desafasta, coisa ruim!
- Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens...
- Haaaa... Eu sabia qui tinha francês nessa história lazarenta...
- O senhor poderia começar com um Beaujolais!
- Num bejo lê, nem bejo lá! Eu sô é home, safardana!
- Então, que tal um mais encorpado?
- Óia lá, ocê tá brincano com fogo...
- Ou, então, um suave fresco!
- Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçano de vontade de metê um tapa na sua cara desavergonhada!
- Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar!
- Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, mêmo! Num é questã de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é ôtro, qui inté rima com brabuleta...
- Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
- E que tal a mão no pé dovido, hein, seu fióte de Belzebu? Seu fié di uma égua!
- Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
- Eu é qui vô acertá um tapão na sua venta, cão sarnento! Engulidô de rôia!
- Mole e redondo, com bouquet forte?
- Agora, ocê pulô o corguim! E é um... e é dois... e é treis! Num corre, não, fiédaputa! Vorta aqui que eu te arrebento!...

(Texto originalmente postado no "De amor e de...", em Out. 2010).

11 comentários:

  1. Legal ver mais de ti e da tua cidade. Adorei a piadinha. Por falar nisso, sabes do nosso amigo CACÁ? Sumiu, nem responde o email. beijos,chica

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  2. Chica, ele está em recesso, trabalhando em um novo livro. Mas volta! Beijo!

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  3. Minas Gerais é um sonho Lúcia, quando estava me preparando para o mestrado pensei tanto em tentar ai na UFMG, o maior departamento de educação do Brasil sabia?!?! Muito show, sonho de criança \o/

    Minas é um mundo, um dos melhores lugares que conheci!!!

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  4. Verdade, Pandora. "Minas são muitas", é uma frase que existe, de verdade.
    Mas Minas é muito pobre em alguns lugares, como, aliás, grande parte do interiorzão do Brasil. As cidades maiores, as cidades históricas, estas, sim, dão orgulho.
    A UFMG é uma referência nacional, mesmo. Se tiver outra oportunidade, venha!
    Beijo!

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  5. Oi Lucia!
    rsss gostei da piada!
    Fazia tempo que não aparecia aqui.
    Belo retrospecto saudosista você fez.rsss
    Depois que conheci as cidades históricas, que adorei, quero conhecer BH, chego lá.
    Quanto ao post da Rosana, assino embaixo, acho que a proporção que amadurecemos ficamos mais intolerantes com tudo isso que vemos.
    Beijinhos e tudo de bom!

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  6. Lucia! Como vai?
    Concordo que mineiro é o povo mais gentil e simpático do nosso país. Sua cidade natal é uma gracinha!
    E estou aqui morrendo de rir pela historinha, rsrs.
    Abraço!

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  7. Oi Lúcia, gostei muito de conhecer um pouco mais da sua cidade. O colégio é de uma construção belíssima e ainda está muito conservado. Eu nasci e cresci em B.H. mas, minha família é de Araxá. Passei belas férias por lá. Dá saudades!
    A história do mineirim é ótima até li para minha mãe e ficamos rindo do "fióte de brabuleta". Amamos!
    Beijos.

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  8. Tam´bem acho que quem se muda pra cidade "grande" não se acostuma mais com a "terrinha natal". Tb é meu caso.

    Quanto à piadinha, Lucia, é muito, muito, engraçada! ;> ))))))))))))))))))))))))))))

    bjnhsssssssss

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  9. PS: não te "encontrei" no FB, Lucia: me procura (Mônica Lidizzia). bjnhs

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  10. adorei a piada,so faltou dizer o nome de tua cidade!parabens

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  11. Tive o previlegio de estudar durante um ano na cidade de Cel Fabriciano, pois morei em Usiminas durante três anos e era pertinho desta agradável cidade. Em Cel fabriciano namorei uma linda garota que se chamava Ana Lucia, esqueci o sobrenome, e, até hoje não a esqueço.

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