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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Lendo e aprendendo



Ler e conhecer coisas e histórias através dos livros é uma deliciosa experiência e ficamos às vezes algum tempo a pensar sobre aquilo que lemos, pelo menos eu sou assim e, talvez por isso, me demore um pouco mais nas minhas leituras. Quando não conheço sobre algo, uso esta maravilhosa ferramenta que a internet dos dias de hoje nos fornece e que eu chamo carinhosamente de Tio Gugu (Google), e então foi assim que descobri sobre um vestido famoso do início do século XX, mais precisamente entre 1919/1920 chamado Delphos, criado pelo grande estilista espanhol Mariano Fortuny y Madrazo, um mestre inovador na arte de plissar sedas e criar modas inspiradas na influência da Grécia clássica.

[MarianoFortunyMadrazo2.jpg]

Dizem que o mistério que rodeia sua principal obra de arte que foi o modelo Delphos ao lado, ninguém conseguiu descobrir até hoje, assim como as incríveis nuances de cores luminosas que dava aos seus tecidos.


Isadora Duncan, Sara Bernhardt e Peggy Guggenheim foram algumas de suas clientes.



Mas, voltando ao livro que me chamou a atenção sobre o autor e o modelo, 
trata-se do romance de María Dueñas, intitulado "O Tempo entre Costuras" e
narra a história de uma jovem e habilidosa costureira que vive na cidade de Madri nos anos 30, onde suas aventuras giram em torno dos ateliês de alta-costura e a sofisticação deste meio.
Esta incrível costureira consegue fazer em apenas um dia, para uma cliente importante da alta sociedade, uma cópia fiel do modelo Delphos de Fortuny e foi assim que ela descreveu a feitura do vestido que me encantou e suscitou minha curiosidade:




"... aqueci panelas de água que, ao ferver, vertemos na banheira.  Escaldando minhas mãos, introduzi o tecido nela e o deixei de molho. ... Depois de um tempo, decidi que podia retirar o tecido, já escuro e irreconhecível.
Esvaziamos a banheira e, pegando cada uma em uma ponta, torcemos o pano com todas as nossas forças, pelo comprimento, apertando em sentidos diferentes para eliminar até a última gota de água antes de estendê-los ao sol.  Só que, dessa vez, não íamos abrir a peça em toda sua dimensão, mas justamente o contrário: o objetivo era mantê-la espremida ao máximo durante a secagem para que, já desprovida de umidade, todas as pregas possíveis permanecessem fixas naquela coisa amarrotada em que a seda havia se transformado.  Então, colocamos o material retorcido em uma bacia e fomos até o terraço carregando-a as duas juntas. Apertamos novamente as duas pontas em direções opostas até que o tecido ficou parecendo uma corda grossa e se enrolou sobre si mesmo na forma de uma grande mola: colocamos uma toalha no chão e, como uma serpente enroscada, colocamos sobre ela a antecipação do vestido que poucas horas depois minha cliente inglesa usaria em sua primeira aparição pública ... Deixamos o tecido secar ao sol e, enquanto isso, voltamos para dentro, enchemos o fogão de carvão e o fizemos funcionar com toda sua potência.  Quando o aposento se transformou em um forno de tão quente, e calculamos que o sol da tarde começava a esmorecer, voltamos ao terraço e recolhemos o pano torcido. Estendemos uma nova toalha sobre o ferro lateral do fogão e, em cima dela, o tecido ainda enrugado, aninhado em si mesmo.  A cada dez minutos sem estendê-lo jamais, ia virando-o para que o calor do carvão o secasse uniformemente.  Com um resto do tecido não usado, entre uma ida e outra à cozinha, confeccionei um cinto consistente em uma tripla camada de entretela forrada por uma simples faixa larga de seda passada.  ... Estendi-o em cima da mesa de cortar e pouco a pouco, com extremo cuidado, fui desfazendo o rolo enrugado.  E, magicamente, diante de meus olhos nervosos, a seda foi surgindo plissada e brilhante, linda. ... Abri o tecido em toda sua dimensão e o deixei esfriar.  Depois, cortei-o em quatro peças com as quais montei uma espécie de estreita fronha cilíndrica que se adaptaria ao corpo com uma segunda pele.  Fiz uma simples gola e trabalhei as aberturas para os braços.  Sem tempo para arremates ornamentais, em pouco mais de uma hora o falso Delphos estava terminado: uma versão caseira e precipitada de um modelo revolucionário dentro do mundo da haute couture ..."


                                                   
Portanto, amigos, sugiro o romance acima, que além da estória contada de maneira abrangente, dinâmica e agradável, proporciona muitos conhecimentos em termos de costume e história.






4 comentários:

  1. Que descrição fantástica, Beth! Assim é que nascem as grandes criações em geral: ou através de um auto desafio ou através de experiências inimagináveis. Já imaginou se não tivesse dado certo depois de tanta pressa e improvisação? Adorei! Abraços. paz e bem.

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  2. Beth sempre com preciosidades para nós (simples mortais).

    Eu sempre aprendendo contigo querida.

    Vou procurar este romance...

    beijo amada!

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  3. O modelo original é lindo. Não sabia da história dele, nem do costureiro.
    Deve ser um livro encantador.
    Já anotei.
    Beijo! Saudade!

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  4. Olá, mal cai aqui e já me apaixonei, estava lendo o post sobre algemas quando vi a capa do livro que acaabei de ler semana passada. Não me aguentei e deixei pra comentar aqui.
    Realmente o livro´é tudo isso mesmo, excelentíssimo. Foi bom saber mais sobreo tal vetido!
    Vou te seguir aqui, passa lá no meu e puder!
    Beijao!


    www.vidacomplicada.com

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