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sábado, 4 de agosto de 2012

TRABALHAR E COMER


Os glutões, nossos ancestrais tinham uma relação voraz com o alimento. Não importava muito qual fosse ele. Saciar a fome era garantia de mais um dia vivo. Portanto não primavam muito pela seleção. É verdade também que não havia muitas opções. Temperos então, o que dizer? Mas também não havia culpa com relação à quantidade  nem com estética corporal. Sendo o suficiente para repor energia estava bom demais. Afinal, depois iriam precisar sair à caça novamente. E era também esse o seu trabalho. Os aperfeiçoamentos que vieram com o tempo foram no sentido de melhorar seus métodos e diminuir os esforços para adquirir seu produto alimentar. 

            O trabalho, na medida do desenvolvimento relacional com a natureza foi ganhando gosto  e especialização. Com isso o prazer ia aumentando. O homem descobrindo que com um instrumento novo, conseguia obter com mais facilidade os meios necessários para a sua subsistência.

            Os preguiçosos (que devem ter gerado os invejosos)  passaram a disputar o produto tecnológico que o outro inventou e a disputa ferrenha entre os homens passou a ser não só pela comida, mas também pelos meios mais fáceis de consegui-la. 

            Bom, de lá para cá, muita coisa se passou e muita gente conhece essa história de como chegamos à mesa com toda a sofisticação moderna, com as culpas que vieram junto do ato de comer e do tédio provocado pelo trabalho. Desde que o homem deixou de fazer para si, com gosto  e teve que se sujeitar ao outro e ficar apenas com uma parcela de sua produção, trabalhar e comer não tem mais o mesmo charme lá das cavernas.

O que botamos para dentro e o que botamos para fora?

    As angústias decorrentes desse processo histórico, antropológico e sociológico resvalam no estômago e nas crises decorrentes da insatisfação com o trabalho. Para dentro, enviamos alimentos que nos causam prazer momentâneo e culpa imediata. Alguns colocam outros  agentes, menos alimentares e mais tóxicos em sinal de rebeldia. Mas é opcional. Para fora, botamos ruminâncias verbais. Alguns colocam balas e outras formas de agressão. Opção ou doença?

4 comentários:

  1. Vê como o sentimento de culpa nos faz mal? Deveria de ser um prazer e não forma de agressão ou mesmo considerada doença. Sentimento de culpa por algo prazeroso não deveria engordar. No caso, talvez não esteja associada à alegria e sim como válvula de escape para a ansiedade. Essa sim engorda, não é opção e sim doença. Bom fim de semana!! Beijus,

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  2. Eu diria que é vício. Quando passo a fazer dieta, sinto uma vontade louca de me boicotar, mas com a persistencia fica cada vez mais fácil abdicar dos doces e gorduras.

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  3. olá a todos os 7!

    Gostei do blogue. E claro dos post sobre Agatha Christie.

    Parabéns. continuem.

    Façam-me também uma visita ao meu blogue:)

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  4. Cacá, falar de comida leva sempre a falar de culpa, de ansiedade, de castigo, enfim, há um preço a se pagar, para apreciar uma boa comida.
    Um ato tão natural pode dar uma tese.
    Junto com a comida, engolimos, na verdade, muita coisa mais!
    Saudade de estar aqui.
    Abraços!

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