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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CARTÃO

Quando ouvimos falar de desenvolvimento econômico, crescimento e outras notícias que todos gostam nesse campo, imaginamos logo toda uma rede paralela e acessória que os acompanham. Na área da saúde, da educação, dos serviços básicos essenciais à população e por aí afora. Mas não é bem assim. A pressa em não perder oportunidade de lucrar aqui e agora  costuma fazer os aflitos pelo dinheiro despencarem de sua ganância com a mesma velocidade que subiram no topo da pirâmide financeira. O despreparo é uma das principais causas da péssima qualidade dos serviços particulares do mesmo modo que a falta de investimentos públicos reflete na má formação, educação e vida saudável do povo em geral.

            Pois bem, o que me aconteceu, se não fosse relatado poderia ir para a galeria das piadas ou “causos” que acabam entrando para o anedotário. 

            Estava num supermercado aqui de Belo Horizonte e fui abordado por um cartaz em que se oferecia cartão de crédito (do próprio supermercado) para facilitar as compras, ganhar  prazo de pagamento sem acréscimos e, o que mais me atraiu: poder fazê-lo sem qualquer taxa, anuidade ou despesas  adicionais. Não perdi tempo e fui logo preenchendo o cadastro em cujos termos  prometiam entregar em domicílio o cartão daí a alguns dias. Assim foi feito, assim foi cumprido. Chegou até mesmo antes do prazo final estabelecido. No envelope do cartão veio junto um contrato e eu, com essa minha terrível mania de ler as coisas, descobri que, se usasse o tal cartão, teria de me sujeitar à anuidade, taxas de serviço, taxa de boleto, taxa de não utilização por mais de seis meses, etc, taxa, etc, taxa,etc...      

            Voltei lá e, atendido pela mesma funcionária que me vendera o “presente de grego”, comentei da propaganda enganosa que me haviam feito e que não iria desbloquear o cartão para o uso, essas coisas ditas no momento da indignação. 

            Diálogo (com gerúndio) travado a seguir (senão não vale):

- Pois não, senhor, em que eu poderia “estar ajudando”? Expliquei o fato e ela desconcertada,  me disse
 - O senhor vai ter que  estar ligando para o 4004-1011, que é da administradora do cartão para “estar resolvendo” esse problema. Eu disse que tudo bem e repeti para ela o número como sempre fazemos nessas ocasiões, nem que seja só para estender o papo.
- É 4004, mil e onze, né?
- Não, senhor, é 4004, dez onze.
- Pois, então, mil e onze!
Toda didática, ela ensinava:
- Senhor, é como mil, escrito ao contrario. Retruquei logo:
-Aí é mil e um. Ela me olhou mais detidamente, com aquele jeitão do tipo: “ai, meu deus, como tem gente ignorante...!” e repetiu enfática:
- O senhor tem que discar quatro mil e quatro dez onze. Inconformado com tal confusão e não acreditando na falta de intimidade dela com os números, desafiei:
- Por favor, escreva aí para eu ver o número mil e onze. Desconcertada, tratou logo de dar por encerrada a conversa, num gerúndio de doer ainda mais os ouvidos:
- Olhe, se o senhor não  estar discando dez onze”, não vai dar certo.

            Desisti e saí agradecido e rapidamente para não gargalhar ali em meio à fila que já se formava atrás de mim, até mesmo para que a menina não se sentisse ofendida. Será que iria “estar sentindo”?
 
E o cartão continua guardado.

6 comentários:

  1. Putz....É dooooooooooooooose isso,rsrsrs

    Cada burrice que nos deparamos que dá vontade de explodir! abração,chica

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  2. Eu ri Cacá!!! rsrsrsrs... Só a graça!! Eu já não faço mais cartões, tenho um irmão que só tem o do banco para receber dinheiro, somos constantemente acediados por essas moças e rapazes e seus gerundios, mas somos inflexiveis!!! "Não, obrigada!"

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  3. Cacá, não dá pra entender essas meninas (e meninos) que são atendentes seja lá onde for. Quando se encontra uma (ou um) que sabe bem do que está falando, até estranhamos...rsrs
    Essa foi demais!
    Imagine só o quanto ela deve ter achado que você é que era o ignorante! rsrs
    Abraço!

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  4. Odeio esse "estar fazendo".
    E é realmente lamentável uma situação dessas.
    Não sei o que comento, assim como não sei se rio ou choro.

    E esse é o nosso Brasil. Quando vamos dar um passo a frente?

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  5. É doído isso..e olha como tem propaganda enganosa...e depois tem pessoas que nem sabem o que estão falando...
    ótimo findi
    Paz e bem

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