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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ENTREVISTA COM O PAPAI NOEL


Arcanjo Isabelito Salustiano*, o filósofo das ruas, estava passeando pelos shoppings e feiras da cidade em busca de assunto, já que desde o início do ano ele já sabe para quem pode e quanto pode gastar com presentes. Encontrou vários papais Noéis, tirou fotos, conversou muito e observou tudo, até o momento em que passou um cara e roubou um saco que estava ao seu lado. Provavelmente pensou que estivesse cheio de presentes ou dinheiro. Tudo caixa vazia. Enquanto as crianças e populares corriam atrás do sujeito, ele conseguiu essa rápida entrevista com o Papai Noel.

ARCANJO: Papai Noel, explique para nós a sua origem geográfica. Não precisa falar de sua onipresença, isso todo mundo sabe. Onde fica essa tal de Lapônia?

PAPAI NOEL: A Lapônia não é um paraíso fiscal como muitos podem pensar. O saco cheio que carrego é proveniente de muitas doações de gente honesta do mundo inteiro. E a Lapônia fica num lugar onde as renas nascem. Nem avião chega lá. Só as renas. E só as minhas. Rena é um bicho criado exclusivamente para Papais Noéis.

ARCANJO: A tradição cristã fala também que você é a representação do São Nicolau?

PAPAI NOEL: Era, meu filho, era! Pelo menos aqui no Brasil! Apareceu aí um certo Nicolau, de quem falam ser ele um juíz e derrubou  a minha reputação de bondade , caridade e solidariedade. Já pensou eu ser tratado pelas criancinhas de Lalau? Vamos ficar só com o epíteto do “bom velhinho”, que já tá bom..

ARCANJO: E sendo assim, meio gordo, por que entrar pela chaminé?

PAPAI NOEL: Isso vai se modificando com o tempo, meu filho. Em primeiro lugar, são raríssimas as casas hoje em dia em que há chaminés. Aliás, o número de casas vem só diminuindo. Nos prédios onde não tem elevador, eu ainda tenho é que subir escadas em vez de descer pela chaminé. Eu tenho que tocar nos interfones e há lugares onde é difícil liberarem minha entrada. Tem tanto clone de papai Noel mal intencionado por aí... Quanto à chaminé, era uma forma de me aquecer, já que de onde venho é muito frio. Agora, além do sumiço das casas, e com esse aquecimento global, já estou querendo é mudar o uniforme, algo mais leve.

ARCANJO: Por que você não se adapta em cada região aos seus costumes? Por exemplo: esse negócio de neve no Brasil nesta época do ano, não cola com a sua imagem nem com o clima. Não acha muito americanizada a sua atitude? Você não estaria puxando a brasa para a sardinha dos americanos? Quer dizer, trazendo essa idéia de neve para cá em pleno verão? Eles já dominam tantas coisas no mundo... Será que o Natal não pode ser cada um com seu costumes e deixar o ecumenismo somente para celebrar o nascimento de Cristo? Não bastou esse tal de panetone que você espalhou por aqui? Deu até confusão numa certa cidade lá no planalto central do Brasil. Tinha um cara disfarçado de papai Noel sem o devido traje roubando dinheiro e dizendo que era para distribuir panetones aos pobres...

PAPAI NOEL: Bom, em assuntos internos de cada país eu não me meto, sabe como é, a minha imagem universal... Imagine se eu chego no Brasil, por exemplo e me visto de bermuda, chinelão, boné e camiseta regata? Aonde iria parar a minha credibilidade com as crianças? Fora o fato de que eu iria ter que ficar me explicando para a polícia. No mínimo iam me confundir com vagabundo. Ou então, num traje desses com um saco nas costas, eu ia era ganhar esmolas.

ARCANJO: Obrigado seu Noel. Quer deixar uma mensagem final para seus fãs no mundo inteiro?

PAPAI NOEL: Se quero! Tenho notado que em todo lugar as pessoas por mais que dêem e ganhem presentes, estão sentindo falta de mais presença do outro em suas vidas. Disfarçam as suas faltas e carências com artigos de consumo imediato mas não conseguem preencher seus espíritos com uma substância que não está à venda em nenhum lugar. Eu gostaria mais de ser outros símbolos. Queria simbolizar mais a tolerância em vez da indiferença. Mais a humanização em vez da coisificação. Mais a essência em vez da aparência. Queria que fôssemos mais sujeitos das coisas e valores e não meros objetos de dominação por falta de envolvimento real nos destinos de cada lugar, de cada país.    
Eu desejo natais onde, em vez de meu sem graça HÔ,HÔ,HÔ, eu poderei escancarar um satisfeito HAHAHA!

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* ARCANJO ISABELITO SALUSTIANO é um personagem que criei.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Contos de Natal: A Magia da Gentileza...


Quando o Beto se foi, eu me tornei materialista,  fiquei muito apegada a seus objetos pessoas, roupas, tênis, jaquetas, CDS, colares, brincos. As roupas que estavam sujas eu não lavei era como se ele estivesse dentro delas, o cheiro ia ficando cada vez mais distante, mas era assim que eu o mantinha próximo de mim, passado alguns meses eu comecei a ter sonhos frequentes com o Beto onde ele pedia que eu o deixasse ir, e eu tentava desesperadamente libertá-lo.

Eu trabalho na Barra Funda, Avenida Marques de São Vicente, e foi no inverno do ano passado que comecei a amadurecer a idéia de doar suas roupas, principalmente suas jaquetas. Todos os dias eu ando a pé a Marques de São Vicente por uns 10 minutos até chegar ao meu trabalho, e me partia o coração ver naquele frio um rapaz morador de rua encolhido embaixo da cobertura de um Banco, ele usava um moletom fininho, fazia uma cabaninha de papelão e cobria o corpo com jornal, ficava tão encolhido que parecia uma criança, eu tentava ignorar aquela cena que eu via todos os dias às 5:30hs da manhã, mas eu não conseguia..(e sabia que era chegada a hora de me libertar de objetos que meu Beto não precisaria mais, e isso fazia parte do meu aprendizado, do aprendizado do meu bom José, do aprendizado do nosso Santhiago).

Em uma madrugada mês de maio de 2010 - 5:30hs da manhã, o frio e a chuva castigavam São Paulo.

"- Moço eu preciso falar contigo (ele se senta e eu me sento no chão ao lado dele).
- Pode falar moça.
- Como você se chama?
- Paulo...mas pode me chamar de Paulinho, e a Sra?
- Não precisa me chamar de Senhora, devemos ter a mesma idade, me chamo Sônia (ele olha dentro dos meus olhos).
- Paulinho, porque você não vai para um abrigo? essa noite fez 2 graus.
- É difícil Sônia, são muito moradores de rua, no frio eles dão prioridade para os idosos e para as crianças
- Não sei como você não morre de frio, como você se aquece?.
- Eu tomo uns goles de pinga pra aquecer (extremamente constrangido).
- Paulinho, eu tenho um monte de roupas em casa que servem direitinho em você, inclusive roupas que nem foram usadas, vou te trazer uns cobertores também, mas você tem que me prometer uma coisa.
- O que quer que eu prometa Sônia? (olhos cheios de lágrimas).
- Que você não vai trocar nada do que eu te der por drogas ( meus olhos cheios de lágrimas).
- Eu não uso drogas Sônia, os goles de pinga são só pra me aquecer.
- Olha Paulo, essas roupas e sapatos que eu vou te dar são de uma pessoa que amo muito, meu marido, ele se chamava José Roberto, você me entendeu?
- Entendi, e te prometo que cuidarei delas como de um filho que um dia eu quiz ter..."

A tarde, quando cheguei em casa arrumei as malas de Paulinho, não tive dó, nem dei o que eu não queria mais, dei o que eu tinha de melhor, senti a vibração do meu marido aprovando tudo aquilo, eu estava feliz...

A partir daquele dia ele comecou uma amizade tão bonita comigo, todos os dias, (aliás quase todos) me dizia "Vá com Deus, bom trabalho, que o seu dia seja repleto de flores, você é um anjo"..., mas eu percebi que em alguns dias ele não falava comigo, quando eu passava na calçada do Banco, ele cobria a cabeça com o Edredon e isso comecou a me intrigar, mas eu não perguntava porque, e isso se tornou cada vez mais frequente.

 No mês passado eu o encontrei na padaria (ele não estava usando nada do que eu dei) mas me disse que tinha absolutamente tudo não se desfez nem de um par de meias, e ressaltou o bem que aquele presente fez a ele, falando principalmente de um Tenis All Star (já bem velho) e algumas camisetas pintadas por mim. (só então  me dei conta que todas as vezes que ele vinha falar comigo não usava as roupas).

Resolvi que Paulinho iria usar nesse Natal um tênis All Star novo e uma camiseta pintada por mim no capricho, ele merecia muito mais que isso, por todos os "Vá com Deus, bom trabalho, que o seu dia seja repleto de flores, você é um anjo", de vários meses (pena que nem todos os dias), comprei o tênis vermelho (porque tudo que ele elogiava era vermelho), pintei a camiseta preta com a imagem de Nossa Senhora Aparecida (porque ele usa um escapulário no pescoço com a imagem)...faziam dois dias que eu tentava entregar os presentes, mas quando eu passava ele se cobria, e eu queria que fosse em um dia que  não tivesse que chamá-lo.

Hoje 5:30 da manhã:

"- Bom dia Soninha, espero que o seu dia seja repleto de flores.
- Bom dia Paulinho (me sento do seu lado, em cima do papelão), olho pro lado e vejo as roupas do Beto dobradas milimetricamente, como se tivessem sido passadas pela mais caprichosa das mulheres.
- Eu tenho um presente para você Paulinho,  e lhe entrego os dois pacotes, ele dá um grito e diz:
- Perdi a noção de quanto tempo não uso uma roupa e um tenis novo comprado especialmente pra mim, eu não mereço! (olhos cheios de lágrimas e cheiro de pinga).
- Merece sim, você merece muito mais que isso pelas palavras gentis que sempre me disse, pelo respeito que sempre teve comigo, mas eu preciso de perguntar uma coisa e quero que sejas absolutamente sincero comigo, posso perguntar?
- Pode! (respira profundamente, se ajeita para ficar de frente para mim, olha nos meus olhos e em seguida abaixa a cabeça)
- Porque que na maioria dos dias você se esconde quando eu passo, finge dormir? seu bom dia me faz muito bem.
- Porque eu não quero que você sofra, e todas as vezes que eu estou usando algo do Beto eu me escondo para que você não veja para não entristecer seu dia, você não merece tristeza (nesse momento desabei).
- Paulinho, eu te dei porque me fez bem, porque iria fazer muto bem ao Beto, ele esta aqui dentro de mim, eu não o esqueço um minuto, pode usar todos os dias, e por favor nunca mais deixe de me desejar boas coisas durante o meu dia, eu preciso muito de pensamentos positivos para eu continuar minha caminhada.
- Depois que você vira as costas, eu desejo Sônia, você só não ouve..."

"Paulo nunca vai saber que eu escrevi isso pra ele, porque não tem acesso, nem sabe o que é internet, talvés nem saiba escrever seu próprio nome, não tem um lar (não sei sua história), mas já nasceu gentil, seus olhos são gentis, sua voz é calma, seus gestos são suaves", (quando chove ele imita o Charlis Chaplin em "Dançando na Chuva")...E eu busco Deus em tudo e das formas mais inusitas possíveis.

O Convido pra ir tomar um café na padaria (ele põe alguns plásticos em cima das roupas e carrega os dois presentes como se fosse um filho que um dia ele quiz ter) tomamos o café, ele me dá um beijo na mão, e eu sigo meu caminho, sinto que os olhos dele me seguem até eu dobrar a esquina (como faz sempre) mas eu não olho para tráz, não quero que ele me veja chorando mais uma vez... ( sinto um misto de alegria e dor), saudades do meu bom José, alegria por ainda existirem "Paulinhos" no mundo...Ele não tem dimensão do bem que me fez...

Paulinho é  meu amigo, me ensinou uma lição, de amor, de carinho, de gratidão que eu jamais vou me esquecer...

GENTILEZA NÃO SE APRENDE, NÃO SE ADQUIRE, OU SE TEM OU NÃO SE TEM...





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Essa história foi vivida pela Sônia Cristina Miranda Gerônimo e originalmente contada no blog A história de Santhiago em 17 de Dezembro de 2010.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Árvore de Natal



JESUS
União
Alegrias
Esperanças
Amor. Sucesso
RealizaçõesLuz
RespeitoHarmonia
Saúde Solidariedade
Felicidade Humildade
ConfraternizaçãoPureza
Amizade Sabedoria.Perdão
IgualdadeLiberdade. Boa - Sorte
SinceridadePaz, PazFraternidade
EquilíbrioDignidadeBenevolência
Bondade.Paciência.Gratidão Força. Carinho
JESUSJESUSJESUS
     
 Não montei árvore de Natal. Não acho que combine com Brasil, trópicos, calor.
Não temos pinheiro *, não temos neve, não temos frio pra vestir Papai Noel. ( *plantas do gênero Pinus, da família Pinaceae, não é nativa do Brasil).
Até "ganhei" uma , emprestada da minha irmã, que não ia montá-la esse ano. Mas depois pensei que ocuparia um espaço bom da sala e inibiria os netos de brincarem à vontade, como gostam. 
Então, comprei uma pequenininha, de madeira, 30 cm , cheia de bonequinhos, soldadinhos, anjinhos, estrelas,guirlanda, pacotinhos, etc.etc. e vai ser esta mesma.
E hoje, na coluna do Márcio Cotrim, "O berço da palavra", onde ele sempre explica o porquê de uma palavra ou expressão,encontrei o texto sobre a árvore de Natal. (Jornal Estado de Minas).
"Seu criador foi São Bonifácio. Nascido na Inglaterra em 672, faleceu martirizado em 754. Seu nome, do latim bonifacius, quer dizer 'aquele que faz o bem'. Sem preocupações ambientais, em 723 ele derrubou enorme carvalho dedicado ao deus Thor, perto da atual cidade de Fritzlar, na Alemanha. Na queda, o carvalho destruiu tudo à sua volta, menos um pequeno pinheiro.
Bonifácio interpretou o episódio casual como milagre. Era o período do Advento (as 4 semanas anteriores ao Natal, grifo meu) e, como ele pregava sobre o Natal, declarou: 'Doravante, chamaremos a esta árvore de 'árvore do Menino Jesus''. O hábito de plantar-se pequenos pinheiros estendeu-se. Hoje, no Ocidente, raro é o lar que não tenha seu pinheirinho adornado com enfeites que fazem a alegria da garotada, na expectativa da chegada de Papai Noel, cheio de brinquedos para as crianças bem comportadas. As outras também ganharão, mas só depois de um pito do bom velhinho. O pito mais carinhoso do mundo".

Fiquei curiosa e fui ao Google, achando outras explicações, inclusive atribuindo a primeira árvore de Natal a Martinho Lutero.
Outro texto diz que o deus era Odin ( e não o Thor do texto acima).
Na Alemanha alguns consideravam os carvalhos como "árvores santas, por isso realizavam, debaixo dessas árvores, sacrifícios humanos oferecidos ao deus Odin. Uma das histórias diz que São Bonifácio, tentando acabar com esse costume pagão, cortou um carvalho que, quando caiu, fez cair todas as árvores próximas a ele, com exceção de um pequeno pinheiro; fato considerado um milagre". (W)

E aí me confundi mais, quando encontrei que até um filho de Noé é o responsável pelo pinheiro enfeitado...
Melhor ser como as criancinhas e acreditar em Papai Noel.
Acreditar nas coisas de gente grande é muito complicado, tem muitas versões, cada um tem sua razão e o bom mesmo é a inocência de aceitar a beleza das luzinhas piscando, a estrela brilhando e que um Menino veio para nos salvar.

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