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sábado, 7 de julho de 2012

TITIO DE ESCOLINHA


Quando a minha primeira filha nasceu, eu morava no interior de Minas e quis acompanhar o seu desenvolvimento sem perder nada que estivesse ao meu alcance e capacidade de pai calouro. Chegada a época da escolinha eu ia às reuniões, conversava com  as professoras, ajudava nos trabalhinhos, fazia a merenda, levava, buscava, enfim, participava da vida dela desde o maternal. Empolguei-me tanto que lancei um movimento na cidade levantando a bandeira de homens poderem ser titios de escolinha. A cidade era muito conservadora e não fui à frente. Mas que eu gostaria, isso eu gostaria!

A tal da evolução que tanto gostam de materializar em mídia, falas e teses meio esquisitas ficou em débito com esse preconceito histórico (além dos já inumeráveis e cansativos). Por que um homem não pode ser professor de maternal? A desculpa de não poder dar de mamar não cola, já que as crianças quando vão para esses estabelecimentos já são desmamadas. E as tias também não o fazem com alunos, salvo em situações  excepcionais solicitadas e consentidas. Inclusive, os pequenos costumam adquirir hábitos que a gente custa a evitar neles em casa. Minha filha mais nova, por exemplo, até os dois anos, só conhecia água e leite materno como alimentos. Foi só ela voltar no segundo dia de escolinha e já estava pedindo “resfilelante” e chips. Faz parte do processo de socialização, no entanto, e cabe aos pais travarem uma batalha inglória contra os considerados maus hábitos alimentares.

Outro argumento que antecipo seu contraditório seria o da falta de jeito masculino com coisas frágeis e delicadas (no caso, as crianças). Ora, se isso não faz mais parte de um passado de triste memória, também não faz parte do presente tanta delicadeza maior do lado feminino, visto que as notícias de maus tratos em creches e escolas infantis não são poucas nos últimos tempos pelo Brasil afora! E seria uma ótima oportunidade de abrandar modos e corações masculinos mais rudes. Afinal, nada melhor do que a inocência e pureza para ensinar a nós um pouco de doçura na vida.

Continuo em minha saga na defesa dessa prerrogativa. Não mais para mim que acho ter passado do ponto. Mas para jovens que aí estão, tantos sem perspectivas muito nobres e mais voltados para um individualismo exacerbado do que para a construção de uma fraternidade que as crianças tanto inspiram, estimulam e ensinam.

sábado, 30 de junho de 2012

MEU MELHOR MOMENTO


Meu melhor momento é aquele que ainda está por vir. Está nesse futuro que chamo de daqui a pouco ou amanhã, nada muito distante. O amadurecimento é eliminatório, eu acho. A gente, com o tempo, vai desclassificando algumas coisas que nos aconteceram, sem eliminar a sua positividade mas elegendo outras melhores, numa sucessão que seria o melhor dos mundos se alternassem só momentos bons com outros melhores ainda.

Não posso eleger meu melhor momento pelo que já vivi. Seria cometer muita injustiça com os bons instantes que a vida me proporcionou. Imagine eu dizer que foi quando me tornei pai? Da segunda vez, como ficaria o meu coração que ama minhas duas filhas igualmente? Se eu dissesse que foi quando escrevi o meu primeiro livro? E o carinho e dedicação com os demais? As primeiras vezes ficam mais fortemente guardadas, é verdade. No entanto há aqueles momentos em que a gente numa euforia breve acaba escolhendo um acontecimento como o melhor. Tudo bem, pode ter sido. Mas só daquele instante. Seria desprezar o potencial de coisas boas que a vida nos reserva para virem a ser os melhores momentos. Por isso eu escolho o presente como o meu melhor momento e se me permitem um trocadilho, o presente como o meu melhor presente.

Agora, se for imperativo ter que escolher um único momento, nem que seja só para que não me chamem de birrento, acho que foi quando eu nasci. Esse não tem chance de fazer reparos nem de se repetir.



PS: este texto foi publicado originalmente no blog pensando em família

sábado, 23 de junho de 2012

REVOLUÇÃO AMBIENTAL



Os jovens de ontem, hoje e amanhã em breve vão ter que começar a falar em revolução novamente. Já houve gerações que falaram em revolução de costumes e a fizeram. Já houve gerações que fizeram revoluções por causa da exploração capitalista extrema e por uma divisão melhor das riquezas. Deu muito problema, mas as revoluções foram feitas assim mesmo. Muito em breve estou vendo que não restará outra saída a não ser defender o que restar de ecossistema e biodiversidade através de uma revolução mundial. Mesmo porque, vai ser uma questão de sobrevivência da humanidade. Os apelos de preservação e as campanhas de educação ambiental não parecem estar funcionando, a não ser em “ilhas de exceção”.

Em 1992, foi realizada a ECO 92 (ou Rio 92), encontro mundial para discutir a famigerada sustentabilidade para o desenvolvimento econômico mundial. Ali foi criada uma relação de metas para tentar salvar o planeta da destruição, a Agenda 21. Dez anos depois, foram fazer uma conferência do cumprimento das metas em Johanesburgo, em 2002, que se chamou Rio + 10 e descobriram que , ao contrário do que se esperava, as condições socioambientais pioraram. Agora, estamos aí com a Rio + 20... 

Será que vai dar tempo de termos Rio + 30, +40, +50?

sábado, 16 de junho de 2012

ELAS NÃO VIRÃO PARA O NATAL




Eu não sei o que será da cadeia alimentar daqui a uns anos. Suspeito que se tornará um caso de cadeia, sem trocadilhos, por favor. Ficar sem um bichinho de estimação hoje em dia está virando coisa de desalmado. Quem não gosta de cães e gatos está dando um jeitinho e se apegando a hamsters, coelhos, cobras e lagartos. E até porquinhos estão entrando na lista dos animais domésticos, desde que os desacostumemos de chafurdar na lama, afinal não dá para entrar dentro de casa respingando aquele sujeirada toda. Isso não é tanto problema nas cidades, cuja lama asfáltica, entulhada de lixo das enchentes não é do agrado dos suínos. Se bem que para quem quiser um mas mora em apartamento terá o consolo dele estar sempre limpinho; eu já vi vários casos no Animal Planet. 
arquivo pessoal

Soube através de uma pesquisa do International Porcaria Institute que os suínos são até cinco vezes mais inteligentes do que os cães. Segundo explicaram, por exemplo, você adquire um porquinho,  batiza-o e da segunda vez que lhe chama pelo nome, ele já sabe que trata-se dele mesmo. O mesmo não aconteceria com os cachorros, que demoram mais a aprender o seu nome de batismo. Eu quase pude comprovar isso outro dia. Minha sobrinha arranjou um filhote de labrador e colocou-lhe o singelo nome de James Boris. Não sei se foi por causa do nome duplo e as pessoas a cada hora o chamavam apenas por um deles ou se é mesmo a confirmação da pesquisa dos suinólogos. O fato é que o bichinho não atendia  a James nem a Boris, a não ser se o chamado viesse acompanhado de alguma coisa para ele comer. 
arquivo pessoal

No sítio as meninas foram fotografar Genoveva, a porca que meu irmão está criando para o natal e quando elas souberam disso, já avisaram que não vão de jeito nenhum. (elas gostam de carne de porco mas acredito que não sabiam que tinha-se que matar o bicho para comer , sei lá). Acho que se ela fosse menorzinha, uma delas iria querer levar para casa como bicho de estimação.

Eu sou chegado num lombo e num pernil, mas cá pra nós: não é uma gracinha?

sábado, 9 de junho de 2012

TERAPIA IV


EQUILIBRANDO
Vou exercer mais uma vez a minha sina (construída) de conciliador. Fui aprendendo com muito custo e tive que viver turrão por muitos anos, pois a resistência sempre foi enorme em ver que a vida constantemente nos empurra para a busca do equilíbrio. O meio termo vai ao encontro do morno. “Seja quente ou frio que se for morno eu te vomito” não funciona comigo.

Se ouço uma música com um som estridente ela até pode ser bonita mas incomoda . Se for baixa demais, inquieta pois não consigo aprecia-la integralmente pondo os sentidos para se acariciarem na audição que se espalha pelo corpo todo em uníssono. A comida é o melhor exemplo. Imagine sem tempero algum? Ou temperada em demasia? Aliás, tempero é uma palavra que simboliza equilíbrio. O trabalho tem que ser alternado com descanso, já que nem o corpo suporta, nem a cabeça consegue manter-se sã e fazer o corpo produzir sem um risco de acidente, doença ou o sono dominar independente da teimosia em manter-se de pé. A paixão é uma causadora de desequilíbrios mais difíceis de ser controlados. Em excesso provoca escárnio, transtorna, deixa o sujeito abestado e enlouquece. De menos é como uma comida sem tempero. Nos dois casos adia a chegada do amor ou mandam-no embora para sempre. A fé precisa de pilares bem sustentados para não transformar-se em fanatismo  ou em proselitismo hipócrita. O dinheiro não pode ser demais para não escravizar a pessoa a seu serviço e idolatria nem pode ser de menos a ponto de escravizar a pessoa a serviço de sua desesperada busca apenas para o básico cuja falta leva à calamidade ou ao extermínio. A alimentação, dizem os bons especialistas, deve ser balanceada. O organismo necessita dela em doses moderadas. Desde a antiguidade se dizia que “o seu alimento será o seu remédio e o seu remédio será o seu alimento.” Um trocadilho sábio. O lugar onde a gente mora: vamos comparar uma grande cidade com uma cidade pequena: quantas vezes não queremos ir morar num lugar tranqüilo, onde as coisas acontecem mais devagar e com menos suspense e violência. E quem mora lá nos lugares pequenos fica doido para vir para a cidade grande sob o argumento de que lá nada acontece.

Tem aquelas coisas que pela sua própria natureza não dão boas vindas a um meio termo. Cerveja? Gelada! Montanha russa? Quanto mais desafiadora, mais emoção! Saudade? Para libertá-la só revivendo o que a trouxe.

Meu senso crítico faz parte de um circuito que vive no automático. Só deixo desligado o botão do julgamento. Esse precisa de controle externo. Estou me habilitando à mediocridade e à elevação. Vou seguindo.

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