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terça-feira, 25 de setembro de 2012

A guardiã dos segredos




Éramos dois a ouvir os segredos.
Segredos que passaram de geração em geração.
Para mim, era uma alegria ouvir e ouvir de novo,
aquelas histórias que nunca mudavam.
Para ele, sempre tinha uma história nova.

Era comum conversarmos depois do almoço,
com nossa mãe e nossa avó.
E elas sempre faziam das histórias da família,
e de alguns vizinhos também,
lições importantes para a vida.
Mas onde é que a cabeça dele estava?
Porque o corpo estava ali,
mas não ouvia, ou talvez desdenhasse do que ouvisse.

É uma pena, pois ele seria um melhor guardião que eu.
Logo ele que é um túmulo de nascença,
muito mais capaz que eu de calar-se,
não ouviu, não pensou e não guardou para si.
O resultado da rebeldia, foi um big problema
que o faz sofrer no presente.

Eu virei a guardiã. Porque ouvi e internalizei as lições.
Não posso contar, por mais tagarela que eu seja,
pois como vovó dizia, os nossos erros, não contamos aos outros.
Eles, quando tiverem oportunidade, usarão o que sabem contra nós.

Sempre achei uma perspectiva triste.
Mas a verdade, é que nesse jogo feminino de poder,
os detalhes mais escondidos, são os nossos trunfos,
e minha avó estava certa. Ele, meu irmão, é a prova.

Guardar um segredo, é como ter um mundo de informações dentro de si,
que por mais egoísta que seja, não libertá-lo para o mundo, é questão de sobrevivência.

Aleska Lemos.

Um comentário:

  1. Segredo, segredo mesmo, aquilo que não se pode revelar, sei guardar. E devo.
    Mas há "segredos" que "pedem" para ser contados, né?
    Histórias de família sempre encerram segredos, alguns invioláveis. E, muitas vezes, carregá-los é uma carga.
    Beijo!

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