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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Sobre Corvos...

Nada me tira da cabeça que falar sobre corvos tem um que de pouco habitual vindo de mim, afinal esse blog é um espaço vestido de azul e os corvos são vestidos de negror.

Mas, todo mundo sabe que abordar esses animais pouco simpáticos não é bem uma novidade no reino do que ousam usar palavras como forma de expressão em qualquer meio possível ou imaginável. Acho que se brincar havemos de achar entre as pinturas rupestres feitas por nossos antepassados nas paredes das cavernas cenas nas quais esses animais aparecem.

Indo menos longe lembro da Mitologia Nórdica, meu irmão é super apaixonado por esse conjunto de mitos e foi com ele que aprendi que Odin, o pai de todos, conta com a ajuda de dois corvos Hugin ("pensamento")  e Munin ("memória") para se manter informado sobre o que ocorre para além de seu trono o que não me surpreendeu em nada, afinal os corvos voam de noite e a noite revela segredos que a luz do dia esconde.


O que me surpreendeu foi descobrir que os corvos eram associados pelos gregos a Apolo, o deus "delícia assim você me mata" em pessoa, quer dizer em divindade.


Enfim, nenhuma novidade também é a associação desse animal ao Edgar Allan Poe, autor do celebrado poema que eu nunca li na versão original, apenas em traduções feitas por ninguém menos que Fernando Pessoa, sempre ele, porque não?!?! :)


"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais."


Novidade mesmo foi ter encontrado uma versão desse poema tão celebrado em cordel feita por José Lira. Novidade e satisfação, porque como disse a Ana, eu sou nordestina até o ultimo fio de cabelo e se bairrismo demais é ignorância, bairrismo de menos é falta de orgulho.


Também me surpreendeu e encheu de satisfação encontrar um livro infantil escrito por Aldous Huxley no qual os personagens principais são corvos. Huxley foi o autor que quase fundiu minha mente quando eu li pela primeira e inesquecível vez Admirável Mundo Novo. Em "Os corvos de Pearblossom" ele fez com que os corvos virassem pássaros fofos para criança nenhuma colocar defeito.

Eu sou apaixonada por esse livro e depois dele os corvos jamais foram os mesmos símbolos de mal pressagio maus, cruéis e sanguinolentos rsrs...

Bem, nesse momento, é tarde da noite para mim, não sei se é para quem me ler, não sei se vai ser quando eu tiver coragem de publicar o texto... E nesse meu tarde da noite me peguei "folheando" as jovens páginas do blog de meu amigo Sahge, fixei meus olhos em um texto chamado "O signo do corvo", passei por ele e me detive em seus versos.

Perdida como ando nos últimos tempos acabo me sentindo muito inclinada a roubar os últimos versos do poema de meu amigo Sahge e fixar eles tanto aqui como nas paginas de meus pensamentos.

"O esmo é a direção que deves tomar, a única vereda digna dos teus passos.
Alegra-te por estares perdida, criança!
Apenas o que o sabem podem orientar os próprios caminhos.

Então, se lhe aprouver hoje adornar-te com esta tristeza,
Ora, que sejas linda e triste como a lua de outono,
Mas ergue-te amanhã, poderosa e inclemente,
Como o mais rubro e implacável sol de verão."

4 comentários:

  1. "Apolo, o deus "delícia assim você me mata" em pessoa, quer dizer em divindade." adorei essa frase. Não sabia que Apolo era associado ao corvo, mas sabia que muitas divindades gregas tinham aves favoritas. Atena é a coruja, Afrodite a pomba e Zeus a águia. Mudando de assunto, por que corvos não podia ser fofos? Hitchcock transformou os pombos em máquinas assassinas rss pq nao fazer o contrario? desistgmatizar os corvos? Só faltou vc falar nos filme o corvo.

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  2. Ah, os corvos são fascinantes, acho que toda a mística atribuída a estes seres só fez com que me encantasse com eles. Mas daí a ter um de estimação é outra história.

    Saindo da literatura, nos cinemas o bicho teve um episódio memorável: a morte do filho do Bruce Lee, Brandon Lee, que a crítica dizia que tinha tudo para seguir os passos do pai, em um acidnete durante as filmagens de O corvo, um super herói noturno que, pra mim, coloca o Batman debaixo do braço.

    E gostei do "se bairrismo demais é ignorância, bairrismo de menos é falta de orgulho."

    Beijos.

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  3. Nossa... sempre que vejo ou me lembro do corvo me faz lembrar da morte, não sei por que? Vai entender, mais é bom conhecer mais um pouco, os acho lindos e misteriosos, poucos falam sobre está ave tão miteriosa... gostei demais... Bjs

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  4. Cara Pandora...
    Sempre apreciei as associações agourentas relacionadas aos corvos, embora eu bem saiba que tais associações estão mais no nosso imaginário que atribui características humanas aos animais, do que propriamente ao que estes animais são.
    Corvos são criaturas da noite, dos lugares ermos, "aves agourentas portadores de más notícias" e pairam acima das nossas cabeças em seu negro vôo como uma lembrança constante do que bem gostaríamos de esquecer.
    O interessante no poema de Poe, é que tudo o que o corvo em questão faz é repetir a frase "nunca mais" e o próprio poeta é quem vai construindo a partir do seu imaginário aquilo que o corvo estaria dizendo sem dizer.


    Ha nesse simbolismo do nosso imaginário em relação aos corvos (e em alguma medida também em relação às corujas) algo que sempre me intrigou. No geral, minha simpatia sempre foi para os animais estigmatizados (como os gatos) e por tudo o que sempre li e ouvi, acho que os corvos são o perfeito signo dos pensadores, dos poetas, dos profetas, dos filósofos e de todos os que nos inquietam, que nos tiram do lugar comum , dos confortáveis cantos felizes em que nos acastelamos tentando esquecer que há mais na vida e na humanosfera do que felicidade (a mais cruel invenção que nossa cultura pode engendrar) e pensamentos suaves.

    Uma amiga ha muito perdida disse uma vez que "os ventos suaves e a calmaria destroem pontes". Pensadores são o caos de onde brota o novo, são tempestades e são a sombra da noite, elementos necessários para lembrar do que todos querem esquecer. Pairar sobre a cabeça da humanidade que gosta de "brincar de eternidade" como uma sombra, eis o que faz melhor um "corvo". Eis o que faz melhor um pensador honesto.

    Os corvos são o que são, e são criaturas maravilhosas por sua natureza, como os canários o são pela deles. Mas seria um mundo onde não valeria a pena viver (ou onde no máximo existiríamos) se todas as criaturas (e pensamentos e idéias) fossem agradáveis enfeites para o adorno da nossa vaidade.

    Gostaria de ter um corvo (como um companheiro, nunca como "animals de estimação"), mas acho nunca conseguiria manter preso o que tem asas.

    Adorei a postagem, como adorei a dos gatos. Me lembro de uma vez em que você me disse que gatos são fofos, mas de jeito nenhum são inofensivos. Pura verdade. E foi o maior elogio que já vi alguém fazer aos felinos.

    Cheros!

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