Siga-nos por Email:

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O lado B da Literatura: livros que li e não gostei! – A hora da estrela.


Quando a Jaci me convidou para este post o livro “A hora da estrela” veio de imediato na minha mente! Imaginei perfeitamente o texto e o choque de algumas pessoas ao lê-lo. Eu sou formada em Letras e sei que para alguns não gostar de Clarice Lispector é uma blasfêmia! Pois bem, blasfemei durante cinco anos em uma faculdade pública e encontrei gente por lá que concordava comigo, mas poucos, é verdade.

A proposta de Jaci não é falar que o livro não presta, mas sim expor seus argumentos. Como professora sei perfeitamente da importância de Clarice Lispector para nossa literatura, mas o tema do post é “Livros que li e não gostei” e não gostar de um livro não diminui sua importância.

Antes de começar gostaria de fazer um esclarecimento. Não descreverei aqui um ensaio sobre “A hora da estrela” porque esta não é a proposta e eu não sou da área de literatura. Sou professora de língua estrangeira, literatura passou pelo meu currículo e acompanha minha vida, mas não sou profissional da área, por isso, meu texto é repleto de “achismo” e como opinião é que nem bunda, cada um tem a sua, eu também tenho a minha!

Na escola sempre lia livros por obrigação e por gosto. Estive acostumada desde pequena com livros literários e acho que por tanto ler livros do gênero fiquei rebelde depois de adulta, passando a ler livros mais populares. O fato é que li pela primeira vez “A hora da estrela” com 15 anos e já havia lido “Grande Sertão: Veredas” (sério candidato a este post), “Capitães da areia”, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Primo Basílio”, entre outros, mas nunca me senti tão ultrajada com um livro como eu me senti com este de Clarice Lispector.


É preciso dizer que na época eu pouco sabia sobre teorias literárias e tinha pouca informação sobre “A hora da estrela”. Hoje eu sei distinguir melhor quando Clarice fala usando a voz do personagem Rodrigo S. M e entendo que a autora usou Macabéa como crítica social dos menos favorecidos, mais ainda, uma crítica social daquilo que ela viu em sua infância, já que passou parte dela em Recife. No entanto, meus pais são nordestinos e ver uma nordestina ser retratada quase como uma doente mental não me agradou em nada, menos ainda foi ver Olimpio como um homem interesseiro e inferiorizado. Não digo que tudo isso não possa ser verdade, eu já tinha lido “Vidas Secas”, mas a forma da construção de critica social de ambos é bastante diferente, uma vez que nem todos os personagens de Graciliano eram realmente atrasados ou ignorantes. Mesmo sem tem poder ou voz Sinhá Vitória tinha consciência das coisas ao seu redor e outros personagens em “Vidas secas” eram mais marcantes e profundos se compararmos com “A hora da estrela”. Eu sei, não se pode comparar (ou pode) Graciliano com Clarice, mas a comparação se dá como argumento da minha falta de empatia com os personagens de Lispector.

Clarice é muitas vezes comparada com Virginia Woolf e seu fluxo de consciência é marca de suas obras, mas eu, particularmente, não tenho paciência para isso. É certo que seus personagens mostram uma personalidade mais forte, às vezes até feministas, mas Macabéa é uma idiota, uma completa idiota! E Olímpio é nojento!

Enfim, “A hora da estrela” sem dúvida é um grande livro da nossa literatura, que mostra com clareza trechos da vida de Clarice, sua depressão, seu sofrimento na hora de criar, tudo exposto pelo personagem Rodrigo S.M, além de ser um livro metalinguístico com crítica social e eu não ignoro nada disso. Mas se eu gostei ao ler e reler o livro? Não, nem um pouco! É chato, tedioso, estereotipado, sem personagens carismáticos e não muito profundos. No entanto, como disse no começo do texto, é tudo “achismo”, afinal quem sou eu para falar de Lispector?

Michele Lima
Notas de Rodapé
Um pouco de Shoujo
________________

A Mi (porque eu sou intima ;) também é uma amiga que vem se tornando socia do Em Quantos, parte da família dos que ajudam a manter esse espaço habitado.
Obrigada por mais essa participação para lá de especial.

7 comentários:

  1. Obrigada por sua opinião!
    Ficou claro que vc não gostou dos personagens, ou seja, de ter lido sobre pessoas "chatas", vamos dizer assim...
    Não li o livro, mas como existem pessoas como os personagens do livro na vida real... Provavelmente, me irritaria e seria boa a leitura, ler algo que mexe c/ a gente mesmo sendo irritar rsrs
    Você escreve bem, falando suas impressões negativas você conseguiu me despertar interesse no livro.
    Abç e boas leituras!!

    ResponderExcluir
  2. Oi, Pandora!
    Você escreve muito bem e está certíssima em fazer sua avaliação e crítica sobre o livro que leu, seja de Clarice Lispector como qualquer outro escritor, afinal tens capacidade para isso com certeza.
    Eu li A Hora da Estrela no Vestibular, isso há muiiiiiiitos anos atrás, e confesso, adorei!
    Pra dizer a verdade, este livro foi minha primeira referência sobre a escritora e agora curto muito mais suas poesias.
    Esta personagem nordestina, naqueles tempos em que foi escrito, não era estas nordestinas que vemos aqui no sudeste tentando trabalhar e viver a vida. Não! Eram realmente pessoas sem preparo, sem visibilidade, sem recursos e que passavam, tal qual Macabéa, invisíveis, esquecidas no meio urbano de cidades como o Rio e S.Paulo.
    Você pode até não ter gostado da estória, mas ela, com certeza, ficará para sempre em sua memória.
    Talvez, seja isso que o romance de Lispector queira atingir, a lembrança de que pessoas como ela, Macabéa,só venham a ter seu momento de estrela na hora de sua morte, quando outros param, verdadeiramente, para olhá-la.
    um abraço carioca

    ResponderExcluir
  3. Também me decepcionei com esse livro. Os personagens são muito mornos, mas é claro que eu também não sabia desse aspecto de crítica social da Clarisse, mas de certa forma, há uma caracterização negativa dos nordestinos sim. O que não é muito legal, e acho que as tele-novelas perpetuam.

    ResponderExcluir
  4. O único livro de Clarisse que li foi Perto do Coracão Selvagem, que eu adorei também li um livro infantil dela e gostei. Mas compreendo que não existem autores perfeitos, todos eles tem seus preconceitos, pontos fortes e fracos, não são divindades incriticáveis... Nós temos o divino direito de não gostar de algum livro.

    ResponderExcluir
  5. CMachado achei engraçado despertar o seu inetresse! E Beth, de fato não gostar não diminui a importância da obra!

    Obrigada pleos comentários!!!

    ResponderExcluir
  6. Eu nunca li nada da autora, aliás quando eu estava na escola nunca me pediram pra ler algum livro específico, acho que isso talvez tenha sido uma falha, nunca fui muito incentivada a ler, desenvolvi o gosto por mim mesma. Mas essa falta de incentivo me deixou meio ignorante quanto a livros nacionais clássicos, e o pouco contato que tive com esses livros me deixou muito preconceituosa quanto a literatura brasileira, me sinto muito mais atraída pela nossa literatura atual, mas reconheço que preciso me livrar desse preconceito e pelo menos tentar ler esses clássicos.

    ResponderExcluir
  7. Adriana, é legal ler os clássicos, só que alguns me parecem um tanto decepcionantes........

    ResponderExcluir

Para receber as postagens por e-mail:

Digite seu email aqui:

Delivered by FeedBurner