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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Era melhor?

"Cometemos erros, magoamos, aprendemos lições duras... Mas tudo isso passou a ser uma lembrança terna. Como isso acontece? Por que esquecemos as coisas ruins e romantizamos as boas?"

O trecho acima é de um discurso feito por uma de minhas personagens preferidas no meu seriado preferido. Estou falando de Joey Potter (interpretada pela Katie Holmes) em Dawson's Creek. Por que o escolhi? Agora que estou na faixa dos vinte, alguns comentários têm sido frequentes. Veja bem, não acho que uma pessoa que esteja nos seus vinte e pouco anos seja velha, mas alguma coisa acontece aí que não acontecia antes com tanta frequência: romantizar o passado.

Tenho ouvido meus amigos (e eu mesma também) relembrando brinquedos e desenhos da nossa infância e, sempre em algum momento, fazendo a comparação com a infância de hoje. A nossa sempre é melhor. Não apenas acreditamos que nossa infância foi melhor em comparação à outras, como também a achamos melhor quando comparamos com outras etapas de nossas vidas. Por que era tão bom? Talvez porque não tivéssemos obrigações, nem preocupações, nem corações partidos, nem o sabor amargo de um plano que não deu certo, de um objetivo não alcançado. 

Bom, a psicanálise que eu faço tem feito com que eu perceba duas coisas: a primeira delas é que a infância tem sim o seu encanto e um valor absurdo em nossas vidas, mas o fato de achar que tudo eram flores vem realmente dessa nossa mania em romantizar o passado, talvez para desqualificar o presente. A gente não podia escolher o que vestir, pra onde ir, o que comer, quando comer, quando brincar, quando ver TV, quando tomar banho, quando dormir. Quem definia isso eram os nossos responsáveis. Outra coisa é a idéia de que não sofríamos ou não nos preocupávamos. Acreditar nisso é subestimar uma criança. É como achar que a criança não é capaz de perceber o que acontece ao seu redor e assimiliar isso de alguma forma, transformando em sensações e sentimentos. A criança também percebe, também sente, também sofre, também se preocupa. Subestimar isso é, por exemplo, achar que pode ensinar à criança a fazer uma besteira só pra todo mundo achar engraçado, sem reconhecer que ela está reproduzindo algo ruim e ganhando sorrisos em troca e que, portanto, pode querer repetir isso ao longo de sua vida. Crianças também não são seres puros, simples, inocentes. Crianças também são maldosas. Também excluem seus amigos na escola - é verdade, talvez por valores muito mais ligados aos seus pais do que à elas mesmas. Uma criança é capaz de dar um apelido maldoso para um amigo a partir de características físicas. Crianças percebem sim o que acontece, assimilam, chegam às suas conclusões.

Dia desses me peguei falando a máxima: "Eu era feliz e não sabia". Eu não estava me referindo à minha infância, mas à minha adolescência. Oras, se hoje a minha adolescência parece uma fase gostosa, não foi assim que a vi quando precisei enfrentá-la. Mas quando eu vejo os meus quinze anos com os meus olhos de vinte, parece que eu não tinha motivos pra reclamar. Estou romantizando ou subestimando a minha versão sete anos mais jovem, como se aquela "eu" não soubesse enxergar as facilidades à sua volta? Meus vinte anos vão parecer mais fáceis aos trinta? O que a minha mãe pensa quando olha pra mim e suspira: "Ai, meus vinte aninhos..."?

Era melhor?

Não posso responder, mas lembro de uma música e a canto baixinho:

Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos...

5 comentários:

  1. Nada me faz pensar que minha adolescencia foi melhor que agora. Minha infância também não foi fácil por conta de parentes malas, mas hoje em dia,eu ainda penso em voltar a ser criança, para fazer algumas coisas boas. Mas tipo, eu acho que a nossa infancia foi realmente melhor. A cada década que passa,as crianças são menos crianças (opinião minha) por mais maldosas que algumas possam ser, as crianças são inocentes. Só fazem mal por causa do excesso de sinceridade. A censura que elas tem são os pais. Mas voltando ao fato da nossa infancia ser melhor que a de hoje, pense bem: quando éramos crianças, nossos heróis eram o Goku, a Serena de sailor moon, o Ikki de fênix etc. Hoje quem são os heróis? Ben 10,adolepeixes e outras titicas. Vc pode dizer que é pq cresci, mas meus herois da infancia ainda consigo rever e rir das coisas que falavam (até oje curto yuyu hakusho, aé! vc tava na minha festa kkk)

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  2. Olá,
    muito bom,
    enquanto lia o texto me vinha a mente os tempos bons de criança...
    e me fez pensar o que falaria para mim mesmo naquela época..."respeite sua mãe, você sentirá falta dela", "coma verduras" ou simplismente "Você é feliz e não sabe".
    E se eu no futuro voltasse até o tempo de agora, o que eu ouviria de mim mesmo?
    São coisas para se pensar...

    Um abraço,
    vou passar a te seguir!

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  3. Oi,
    não consegui me cadastrar para te seguir,
    ve se não está com problema no blogger...
    abraço...
    volto depois

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  4. Olá!
    Gostei de suas analise sincera da vida...
    O que percebo em mim e em meu filho de 20 anos é que no fundo no fundo, a juventude tem seu glamour mas, sem a experiência que adquirimos qdo mais velhos (não precisa ser muito)é que o bom mesmo é aprender...
    Gostei muito de minha infância e dos meus 20 e poucos anos, mas acredito que sou feliz mais hoje aos 46.
    Enfim, dizem que não devemos deixar a criança que esta dentro da gente, mas para todos nós dói um pouco crescer, o meu de 20 ta sofrendo mais que o de 17 para crescer...
    Será porquê, mais sensível e sonhador?
    O mundo adulto, vem com assumir responsabilidades, entretanto é como vc disse na infância e adolescência, não tem outras coisas boas que tem na vida adulta.
    Desculpe o comentário longo, quase fui analisando as coisas como vc e acabo fazendo um post (rsrsrs)
    Bjk

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  5. Se tem uma coisa que eu adoro em escrever para o "Em Quantos" é ler os comentários, sempre com muito a me acrescentar. É por isso que eu gosto de escrever aqui esses textos, que são sempre meio que um desabafo.

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