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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Drama de segunda

Hoje eu acordei mal. Fiquei pensando nas coisas que tinha para fazer (postar aqui, inclusive) e senti forte uma vontade de ficar embaixo das cobertas, sozinha. Mas, ao mesmo tempo, a ideia de passar o dia no quarto, deitada embaixo das cobertas e, portanto, escondida, me pareceu fraqueza demais. A gente sempre quer se esconder quando está triste, dá uma falsa ideia de proteção. Acho que eu sempre guardei a sensação, desde os tempos da escola, de que a invisibilidade era a melhor forma de não dar a cara a tapa. Porque né, se você der a cara a tapa, pode ter certeza: eles vão bater. Mas a experiência com essa invisibilidade também me fez perceber que a gente apanha de qualquer jeito, só muda o agressor. Se você opta pelo isolamento, você está maltratando a si mesmo.

Lembrei de um filme que, durante os meus doze anos, fez muito sentido pra mim: O Diário da Princesa. Até hoje eu amo esse filme e filmes nesse estilo. Amélia dizia que seu maior desejo era ser invisível e que ela era boa nisso. Não pareceu em momento algum da história que a sua invisibilidade a poupava do sofrimento. No entanto, ao escolher ser vista, ela passava a ter o poder de fazer com que as suas ideias atingissem a mais pessoas. Claro, no filme ela seria uma princesa e suas palavras atingiriam todo um povo, mas essas ideias enfeitadas pelas histórias contadas no cinema, podem ser adaptadas ao nosso dia a dia. É por isso que eu resolvi escrever. Escrever aqui, como eu estou fazendo, também é se expor. Também é fazer com que minhas palavras e ideias alcancem mais pessoas. Isso pra mim é um enorme passo. E eu estou falando de forma totalmente pessoal agora. Optar por não ficar escondida e, de alguma forma, vir aqui e dizer essas coisas, é notar que uma Gabriela que existia há anos atrás, não está mais aqui da mesma forma que antes.

A gente se acostuma a acordar, levantar da cama e escovar os dentes de uma forma quase que mecânica. Mas, em alguns dias, isso parece uma tarefa hercúlea. A gente deve ter cuidado. Se as simples atividades do dia a dia se tornam mecânicas, a tristeza também pode se tornar. Se a gente se acostuma à ela, deixa ela entrar e ficar. Acostuma a ver todo dia meio nublado. Acostuma a se esconder dos outros. E acaba se escondendo da vida. 

Voltando ao filme, ele tinha duas frases muito bonitas, a primeira é de Eleanor Roosevelt, a segunda, eu não sei (mas tem uma moral bem parecida com uma frase de "O Mágico de Oz"):

"Ninguém pode fazer você se sentir inferior sem o seu conssentimento."

"A coragem não é a ausência do medo, mas a certeza de que algo é mais importante do que o medo."

Hoje eu optei pela coragem.

5 comentários:

  1. Seu texto me deu uma sacolejada linda Gabriela, hoje mesmo escrevi no twitter, o melhor lugar do mundo para você grita sem ouvir respostas na maioria das vezes: Coisa que eu amoooooo quando acontece: "Quando as pessoas me miram e me erram!" Adoro passar despercebida!

    E sim, procuro um caminho através do qual eu consiga deixar de me sentir pequena, gorduxita, atrapalhada e inadequada... Só queria ter um pouco mais de sucesso nesse processo!!!

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  2. "O correr da vida embrulha tudo.
    A vida é assim: esquenta e esfria,
    aperta e daí afrouxa,
    sossega e depois desinquieta.
    O que ela quer da gente é coragem". João Guimarães Rosa

    Gostei muito, Gabriela.
    Abraços. Paz e bem.

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  3. Ai que bom que meu texto teve esse efeito, Pandora!

    E adorei o texto, Jose Claudio. Diz tudo!!

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  4. Essas frases marcaram né? tamnbém sempre quis ficar invisível. Na escola eu queria fugir da implicancia das meninas e da atenção dos garotos. Hoje só tento não aparecer mt quando o ambiente é muito hostil.
    Ao mesmo tempo que se expor pode causar dor, é a unica forma de ser feliz também.

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  5. Muito bom esse texto, realmente tem vezes que nossa única vontade e se isolar, mas essa é umas das piores coisas que alguém pode fazer.

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