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quinta-feira, 22 de março de 2012

Uma foto, duas vidas/O clube da esquina

Duas crianças sentadas à beira do caminho. Um carro que passa, clicando nuvens.
Anos depois, os meninos resgatados da memória, Cacau caladão, sem sorriso, e Tonho com  a mesma carinha de moleque levado.
Capa de um disco de valor inestimável para a música brasileira. 
O começo do Clube da Esquina, que muitos pensam que seja um clube mesmo, uma sede, quando não passa de uma esquina num bairro de classe média, em Belo Horizonte. Agora vai ter sede mesmo, nas imediações da Praça da Liberdade, onde hoje funciona o SERVAS (Serviço Voluntário de Assistência Social). 
40 anos se passaram entre uma foto e outra. 40 anos se passaram entre o lançamento do disco Clube da Esquina e os dias de hoje.
Um disco que deu à luz os talentos sem fim de grandes nomes da música brasileira. No caso, encabeçado por Milton e um garoto de menos de 20 anos, Lô, que se assustou com o sucesso estrondoso. E teve a participação de nomes que nunca mais sairam do cenário musical do Brasil: Wagner Tiso, nos arranjos, Ronaldo Bastos como  produtor e letrista, Fernando Brant como um dos principais letristas, Márcio Borges, Toninho Horta, Beto Guedes, Tavinho Moura e mais nomes. A época era de ditadura e as letras tinham que ser feitas com cuidado ou não passavam pela censura. 
Letristas jovens, idealistas, revolucionários, querendo um Brasil livre e melhor, devem ter refeito várias, volta e meia...
O Brasil é mais rico, certamente, com tantas músicas e letras lindas produzidas por esta turma que ainda hoje acontece. 
O segundo Clube da Esquina, em 1978, trouxe a parceria de Flávio Venturini, Joyce, Elis Regina, Boca Livre, Gonzaguinha, Chico, Francis Hime, Tavinho Moura, Murilo Antunes, Paulo Jobim (filho do eterno Tom) e o coral Canarinhos de Petrópolis. 
Mas o que achei lindo foi o encontro dos dois meninos, hoje com 48 (Cacau) e 47 anos (Tonho). Meninos que brincavam na rua, na região de Nova Friburgo, amigos de infância, nascidos numa área rural, Rio Grande de Cima. 
Hoje a vida os separou, Tonho  (José Antônio Rimes) está casado, tem 2 filhas e é recompositor de mercadorias em um supermercado de N.Friburgo. E Cacau, (Antônio Carlos Rosa de Oliveira), vive em Rio das Ostras, onde é pintor e jardineiro.
Tonho nem sabe quem é Milton e ainda menos o que foi o Clube da Esquina.
Cacau viu o disco, há muitos anos e desconfiou que era ele na capa, até comprando o CD, mas queria mesmo o LP, que não tinha mais. Pediu o da jornalista que os encontrou, mas não sei se o ganhou.
Meninos pobres, despreocupados, clicados por acaso, Tonho conta que se lembra direitinho do dia, que alguém lhe tinha dado o pão que tem na mão, pois estava com fome e que estava descalço porque só gostava de andar assim. Cacau não se lembra com exatidão.
Duas figurinhas clicadas por um fotógrafo (o pernambucano Cafi - Carlos da Silva Assunção Filho), que procurava nuvens pra colocar numa capa e clicou os meninos sem intenção, apenas ficaram na frente da câmera.
Bem podia sobrar um dinheirinho pra Cacau e Tonho, depois desse encontro, heim?
Afinal, por muitos anos eles foram Milton Nascimento e Lô Borges na imaginação de muita gente.

5 comentários:

  1. eles pediram o disco? deveriam mesmo ganhar cache!

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  2. Puxa, que história,heim? Tomara sobrasse uma graninha pra eles...beijos,lindo dia!chica

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  3. Pois é, concordo com você e com a Inaie e com a Chica, devia sobrar mesmo um dinheirinho para eles...

    E Lúcia, eu brinco que esse blog tem alta densidade de História, mas cada dia mais eu vejo que essa afirmação não tem nada de brincadeira, adorei o post e conhecer mais esse capitulo de nossa história!!!

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  4. Adorei as imagens e como elas ganharam ainda mais vida com seu texto! nao conhecia nada dessa historia!

    beijcas

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