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terça-feira, 28 de junho de 2011

EUTANÁSIA

Para uns Deus é a medida de todas as coisas. Outros, porém, estão sempre em busca de algo além de verdades prontas, pré-estabelecidas, os dogmas. Há ainda aqueles que  vagueiam inseguros, por aqui e por ali à procura de algum significado para a existência humana.
            Diante de determinados fatos de repercussão global, quem acaba colocando o assunto na roda dos debates são os meios de comunicação. Aqui vou falar da eutanásia. E vou tentar fazê-lo sem nenhuma opinião pré-concebida, sem nenhum fervor religioso, sem nenhum paradigma que possa direcionar a minha opinião.
            Alguém, qualquer pessoa que seja, independente de sua condição sócio-econômica, cultural e religiosa, sexual ou cor da pele, encontra-se pelos desígnios da vivência, absolutamente incapaz de se manifestar, de se locomover, falar, sorrir, chorar, se alimentar e fazer suas necessidades fisiológicas por conta própria. Passa a ser mantida viva como uma planta e com auxílio de aparelhos inventados pelo homem. E depois de muito tempo, feitos todos os esforços, todos os estudos, tentadas todas as terapêuticas, chega-se ao diagnóstico da impossibilidade de reabilitação  ou cura. Não possui essa pessoa nem a capacidade de interferir naquilo que lhe é oferecido, ou seja, se aceita ou não essa condição. Até que ponto alguém pode decidir sobre seu destino? E decidir o que? Se a mantém assim ou se abrevia a sua condição, praticando, nesse caso a tão controvertida eutanásia?
            As leis no mundo em torno do caso não permitem praticar, em  alguns lugares, a eutanásia “não consentida”, ao estabelecer a pena de morte? Inclusive de gente que não está em estado vegetativo? Pessoas que, segundo essas mesmas leis têm direito à vida? Outro aspecto da lei com relação ao direito à vida: esse direito no caso em questão tem que virar obrigação? Se se trata de um direito, a pessoa não pode abrir mão dele? E ela não podendo por falta de condições psicoemocionais, o seu responsável ou pessoa mais próxima pode abnegar do direito por ela?
            Quanto à ciência, ela estaria dando uma contribuição à fé religiosa, comprovando pelos seus métodos e recursos técnicos que não há vida ativa naquele corpo? Se as pessoas religiosas crêem em algo além da matéria, não estariam amparadas para permitirem a paz e o descanso dessa alma em sofrimento? Ou não, ela e quem mais a ama e lhe quer bem devem sofrer até que sua sina seja cumprida?
            Não apoio, não recrimino, não julgo. Apenas me tirem os tubos, desliguem as tomadas se for meu o caso um dia.

6 comentários:

  1. Sou da mesma opinião.Comigo, não me deixem presa aos aparelhos somente. Não quero apenas vegetar...abraços,chica

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  2. Cacá, meu amigo, difícil decisão.
    Mas vou lhe dizer: se eu ficar numa situação assim, vegetativa, sem nenhuma possibilidade de retorno à vida, sem sequelas, podem desligar meus tubos.
    Mas se for um dos meus, EU não desligaria os tubos! Porque sempre teria esperança e também por convicção de que EU não sou Deus, não sou EU quem determina o dia da partida de ninguém.
    Mesmo quem acredita em Deus pode tomar essa decisão (e deve, sem culpa, se assim o quiser mesmo!), mas EU, Lúcia Helena, não teria, simplesmente, CORAGEM para tal.
    Mas os meus tubos, desliguem quem quiser!
    (difícil de compreender? Não sei!)
    Abraços!

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  3. Nossa, este assunto é complicado demais!
    Já me peguei pensando também se tivesse que desligar os tubos de um parente amado meu, que decisão trágica, Deus me livre disso um dia!
    um grande abraço, carioca

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  4. Oi Cacá,

    É difícil essa decisão.
    Quando eu vi meu irmão vegetar eu deseja que tudo aquilo acabasse, e vou te dizer: Se eu pudesse eu teria desligado os tubos (já passei duas vezes por isso)
    Eu também não quero vegetar..graças a Deus com os animais é um pouco diferente, e nunca deixei um dos meus sofrerem, nunca dei trabalho a um médico veterinário.
    E de verdade gostaria que com os humanos fosse permitido também...

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Os meus, por favor, não desliguem. Com certeza, vou estar escrevendo em minha alma. A vida é o meu caderno mais usado, e mesmo que suas folhas estejam quase inutilizadas, foi nelas que escrevi versos de quando eram novinhas. A vida "vegetativa" é mais um momento de riqueza espiritual. Eu sou a favor de que, caso se possa e queira fazer, se decida pela eutanásia. Agora, se a decisão for minha, e se tiverem de consultá-los algum dia sobre meu desejo, reafirmem meu desejo de só descer do barco quando amarrado ao destino. Abraços!

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