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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Um certo brilho no olhar


Encontrei há alguns anos com uma antiga conhecida lá da cidade em que morei.  Estava tão diferente, a pele do rosto mais esticada, não tinha papinhas nos olhos, o peito continuava pequeno, mas bem empinado e a barriga, cultivada por anos de boas churrascarias e cervejinhas, parecia mais esticada que tamborim de escola de samba.


Como de hábito e porque sou educada, disse-lhe que estava muito bem e, mesmo percebendo o que ela tinha feito, perguntei-lhe como tinha conseguido ficar assim tão bonita e magrinha.  Ao que ela respondeu-me na lata - "Fechei a boca! É só fechar a boca."

Putz, eu bem poderia ficar sem essa, oras!  Quem mandou eu perguntar e ainda elogiar.

Passados alguns meses, uma amigona que teve a filha operada para retirada de excesso de mama, convidou-me a ir com ela ao excelente cirurgião plástico que tinha feito sua operação, para que tirasse os pontos. 
Fui. Eu nunca havia estado num consultório de cirurgia plástica e fiquei com vontade de conhecer como era o tal médico e ver o resultado final dos seios da mocinha, filha da amiga.

Qual não foi a minha surpresa quando ao chegar à sala de espera dei de cara com a tal conhecida, lá, sentada, lendo uma revista e aguardando sua vez. Aquela que só fechou a boca!  Ela olhou-nos, sorriu meio acanhada e ficou na dela.


Aí entendi tudo, mas não lhe disse nada, às vezes calar é a melhor resposta para certas insanidades. 

Semana passada encontrei-a de novo lá pela cidade e ela estava enoooooorme, pros lados, porque a barriga continua chapada, mas engordou tudo de novo, e com a idade, outra plástica não se justificaria mais e no rosto poderia tirar-lhe completamente os traços naturais.  No entanto, ela estava com um ar mais feliz e confiante do que aquela vez que a encontrei tão bem fisicamente. Talvez porque não tivesse que disfarçar mais nada e, apesar das poucas rugas ao redor dos olhos, tinha um certo brilho no olhar, estava menos fosco e repuxado, denotando que a vida que optou por levar, mais natural e menos na defensiva era a verdadeira fonte da eterna juventude.




(Crônica por Beth Q.Lilás)









5 comentários:

  1. Pois é, Beth.
    Há pessoas (homens incluídos) que andam fazendo de tudo para não envelhecer.
    Não digo que adoro, mas aceito muito bem as marcas do tempo em mim.
    Acho natural cada ruga, cada linha, cada fio de cabelo branco (embora ainda os pinte), os pneuzinhos "fenemês" que aparecem na cintura e tudo o mais...
    Só quero saúde e paz!
    Beijo!

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  2. Excelente...Ela caiu na real e assumiu....beijos,chica

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  3. Pois é querida Beth, há coisas que acabam por se revelar tão artificiais que perdem aquele brilhozinho da naturalidade e acabam por conduzir a própria a uma postura constrangedora e ...infeliz.
    Gosto de ver uma mulher bem cuidada e charmosa, mas não á custa de silicones, não com a face repuxada e hirta pelo botox...

    Gostei muito do conto!

    Mil beijinhos

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  4. Oi Beth!
    É uma guerra que não ganhamos nunca!
    O tempo como se costuma dizer é inexorável... O que vale mesmo é a idade que temos no "coração"...Que ele esteja livre, leve e solto!rsss
    Beijo

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  5. Oi Beth

    Tenho coração infantil, rs. Se um dia fizer uma plástica vou anunciar para todo mundo. Não teria vergonha nunca.
    Quando chegar a hora e eu tiver dinheiro, aviso, tá bom?

    Bjs no coração!

    Nilce

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